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Quando Lula assumiu, acreditamos
que nesse final de ano teríamos rostos, falas expectativas e sonhos
diferentes, no período das festas natalinas. Nada de amarguras
e desesperanças.
Não está sendo
bem assim.
Vamos encerrar o ano com um
número bem maior de trabalhadores e trabalhadoras sem emprego;
com um número bem maior de pessoas que não mais vão
poder ter acesso ao emprego; com mais famílias desagregadas e,
portanto, com mais violência, principalmente a doméstica.
Será que se Lula fosse
escrever uma carta ao Papai Noel, ele escreveria com a mesma garra e força
de vontade expressas na Carta de Intenções feita ao FMI?
Na Carta ao FMI, para ter
direito a presente de Natal, o governo fez uma cartinha bem singela, cheia
de boas intenções para com o Fundo, historiando todo o empenho
e dedicação do governo para o cumprimento da política
econômica.
É até emocionante
a forma de linguagem usada para se fazer merecedor do presente: o governo
fala de perspectivas de crescimento promissoras já a médio
prazo, de uma muito bem-sucedida emissão de títulos, de
todos os esforços para o fortalecimento do Real, da confiança
em relação ao cumprimento do Acordo e do compromisso assumido
em estender os progressos alcançados na redução da
vulnerabilidade da economia a choques externos.
Nem uma palavra, sequer, sobre
superação dos problemas sociais, acreditam?
Não haveria como o
FMI recusar um grande presente, diante de tão eloqüente apelo.
Numa Carta ao Papai Noel, Lula
teria que expor todo o compromisso que carregou consigo durante anos,
de fazer desse país um lugar de todos/as; teria que dizer que nada
fez até agora para garantir a efetivação desse compromisso.
Diante disso, Lula teria condições de pedir algum presente?
Achamos que não.
Certamente Papai Noel diria
ao Lula que ele não merece presente de Natal porque sua opção
de governança vai deixar a grande maioria da população
sem qualquer condição de ter uma vida digna, muito menos
de poder comprar presentes no Natal. Para ser mais contundente ainda,
em seus motivos ele diria que muitas pessoas não terão sequer
um prato de comida na noite de Natal.
Algumas irão comer,
graças à solidariedade de quem faz ação de
cidadania.
Por fim, ele diria que não
se pode servir a Deus e ao diabo ao mesmo tempo.
A escolha de Lula foi consciente!
Portanto, ele não poderá ter um Feliz Natal.
Nós poderemos porque,
apesar de tudo, vamos continuar lutando, pressionando, denunciando e realizando
ações para que o sonho de Natal (paz, amor, harmonia, comida
na mesa, dinheiro no bolso, respeito humano) se realize.
ESPLAR-Centro
de Pesquisa e Assessoria
Dezembro de 2003
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