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A Rede Brasil, reunida em sua VI Assembléia Geral, em Brasília entre 30 de Março – 01 de Abril 2005, DECIDE, por unanimidade de seu plenário, apresentar seu veemente REPÚDIO à nomeação de Paul Wolfowitz como Presidente do Banco Mundial
No dia 31 de março de 2005, os diretores executivos do Banco Mundial confirmaram a indicação do militarista Norte Americano, Paul Wolfowitz como Presidente do Banco Mundial. Indicado pelo governo dos Estados Unidos para presidir o Banco, o vice-secretário de defesa dos Estados Unidos substituirá o atual Presidente James Wolfensohn no dia 1 o de Junho.
A confirmação foi uma simples formalidade depois de o candidato ter recebido a aprovação da União Européia e do Japão, os quais, depois dos EUA, são os maiores acionistas do Banco Mundial. O governo Brasileiro decidiu não se aliar ao bloco de países anti-Wolfowitz, como já tinha, através da equipe econômica, iniciado negociações com o próprio Wolfowitz sobre a manutenção de decisões do Wolfensohn favoráveis ao aumento de desembolsos para o Brasil. A Rede Brasil vem repudiar essa confirmação e o posicionamento do Governo Lula.
O governo dos EUA e o Banco Mundial vêm, cada vez mais, criticando e pressionando os países em desenvolvimento para que adotem sua agenda de “boa governança” no sentido de promover mais transparência nos processo de decisões do governo. Paradoxalmente, adota-se um processo sigiloso de seleção do Presidente do Banco Mundial. A Rede Brasil considera inaceitável que o processo de seleção dos dirigentes de Instituições Multilaterais se dê dessa forma arbitrária e anti-democrática. Esse é um processo que deveria ser aberto, transparente e baseado em mérito.
Considerado como um “linha dura” do governo Bush, um dos principais arquitetos da guerra contra o Iraque e com o seu anti-multilateralismo, Paul Wolfowitz tem demonstrado sua incompetência para liderar uma Instituição Multilateral que deve sempre buscar um equilíbrio entre os interesses de seus membros. Sua área de atuação tem sido a defesa militar e não políticas de desenvolvimento; fato que nos leva a crer que Wolfowitz, como Presidente do Banco Mundial, transformaria a instituição em um instrumento auxiliar dos interesses geopolíticos dos EUA e seus aliados e reduziria seu caráter multilateral.
O Banco Mundial tem, desde sua criação há 60 anos, juntamente com o FMI e mais recentemente com a Organização Mundial de Comércio (OMC), sido incapaz de cumprir suas promessas relacionadas à erradicação da pobreza e o desenvolvimento sustentável, principalmente por causa da insistência em impor políticas econômicas neoliberais a serviço do interesse de multinacionais e elites financeiras locais e internacionais que frustram a realização desses mesmos objetivos.
O perfil do novo presidente aponta efetivamente para o recrudescimento de práticas excludentes e anti-democráticas que afetarão sobremaneira as políticas que tem sido defendida pela sociedade civil.
Brasília 1º de abril de 2005
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