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Cultivo de algodão orgânico incentiva a agricultura familiar
28/06/2005

Métodos ambientalmente corretos de plantio são usados como promotores de justiça social

A política de substituição da agricultura convencional pela orgânica traz à tona, no Brasil, a criação de uma cadeia produtiva de algodão ecologicamente sustentável e conduzida por agricultores familiares. "Trata-se de uma cadeia produtiva solidária e que preserva os recursos naturais, gerando inclusão social e um produto final corn urn diferencial no mercado", afirma Pedro Jorge Ferreira Lima, agrônomo e Diretor Adjunto do Esplar, centro que pesquisa e assessora projetos junto ao agricultor familiar em Tauá, no Ceará . Lima conta que a produção era certificada, porém, devido aos altos custos, deixou-se de fazê-lo. Um diferencial, segundo Napoleão Beltrão, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é que apenas o Brasil e os EUA produzem o algodão orgânico colorido. "A tecnologia criada pela Embrapa está em fase de validação em cinco propriedades. A idéia é aliar a certificação ao processo", afirma Beltrão, lembrando que o produto custa, em media, 40% mais se comparado ao convencional. "Existe mercado no exterior, mas falta organizar a cadeia produtora e comercial e certifica-la", avalia.

Forte concorrência - O algodão é uma das principais commodities agrícolas. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), os preços internacionais do produto estão bastante abaixo da média dos anos anteriores. Um exemplo seria o mês de Outubro de 2004, quando a cotação foi 30,2% menor na comparação com o mesmo mês de 2003. Segundo o Cepea, a produção deve crescer 2,6%, atingindo 1,3 milhão de toneladas. Pelos cálculos do Esplar, menos de 0,1 % será orgânico. No Ceará, Estado responsável por cerca de 70% do cultivo nacional do algodão orgânico, a produção foi de cerca de 17 toneladas em 2004.

Aplicações - A Natural Fashion, cooperativa têxtil que trabalha o algodão colorido corn o conceito de produto limpo e socialmente correto, dobrou o faturamento em 2003 e, em 2004, cresceu 70%. "A previsão e de que isso se mantenha em 2005", afirma Maysa Motta Gadelha, Diretora de Marketing da Coopernatural, cooperativa responsável pela Natural Fashion, sem citar cifras. Segundo Maysa, 70% da produção destina-se ao mercado interno e o restante, ao externo. O algodão usado é orgânico, mas ainda está em processo de certificação. "Atuamos no nicho de comércio justo. Utilizamos mão-de-obra artesanal, o que gera inclusão e promove geração de renda", conta Maysa. "Fazemos um produto corn um diferencial, que tem alma e é feito para quem tern sensibilidade", diz. A Natural Fashion fornece seus produtos a lojas no Brasil, e possui uma franquia em Portugal.

Outro exemplo e a Univens - cooperativa de vestuários, do Rio Grande do Sul. "Buscamos matérias-primas que garantam um produto diferenciado e o algodão orgânico se insere nessa perspectiva", afirma Nelsa Fabian Napolo, Presidente da Univens. A produção está preparada para pedidos de ate 30 mil peças e faz parte de uma cadeia produtiva que utiliza o algodão orgânico proveniente do Esplar. Segundo Nelsa, o preço de uma camiseta que seria vendida por R$ 7, sai por cerca de R$ 50. "Trabalhamos com a idéia de empreendimentos em comunidade, sob o norteio da economia solidária. São valores que ultrapassam a questão econômica. E uma reeducação do mundo", finaliza Nelsa.

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Fonte: Revista Brasil Alemanha, n.1, ano 13. Cultivo de algodão orgânico incentiva a agricultura familiar. Caderno Especial BioFach 2005. p.12-13, 2005.

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