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Métodos ambientalmente corretos de
plantio são usados como promotores de justiça social
A política de substituição da
agricultura convencional pela orgânica traz à tona,
no Brasil, a criação de uma cadeia produtiva de algodão
ecologicamente sustentável e conduzida por agricultores familiares.
"Trata-se de uma cadeia produtiva solidária e que preserva
os recursos naturais, gerando inclusão social e um produto
final corn urn diferencial no mercado", afirma Pedro Jorge
Ferreira Lima, agrônomo e Diretor Adjunto do Esplar, centro
que pesquisa e assessora projetos junto ao agricultor familiar em
Tauá, no Ceará . Lima conta que a produção
era certificada, porém, devido aos altos custos, deixou-se
de fazê-lo. Um diferencial, segundo Napoleão Beltrão,
pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa), é que apenas o Brasil e os EUA produzem o algodão
orgânico colorido. "A tecnologia criada pela Embrapa
está em fase de validação em cinco propriedades.
A idéia é aliar a certificação ao processo",
afirma Beltrão, lembrando que o produto custa, em media,
40% mais se comparado ao convencional. "Existe mercado no exterior,
mas falta organizar a cadeia produtora e comercial e certifica-la",
avalia.
Forte concorrência - O algodão
é uma das principais commodities agrícolas. Segundo
o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea),
da Universidade de São Paulo (USP), os preços internacionais
do produto estão bastante abaixo da média dos anos
anteriores. Um exemplo seria o mês de Outubro de 2004, quando
a cotação foi 30,2% menor na comparação
com o mesmo mês de 2003. Segundo o Cepea, a produção
deve crescer 2,6%, atingindo 1,3 milhão de toneladas. Pelos
cálculos do Esplar, menos de 0,1 % será orgânico.
No Ceará, Estado responsável por cerca de 70% do cultivo
nacional do algodão orgânico, a produção
foi de cerca de 17 toneladas em 2004.
Aplicações - A Natural
Fashion, cooperativa têxtil que trabalha o algodão
colorido corn o conceito de produto limpo e socialmente correto,
dobrou o faturamento em 2003 e, em 2004, cresceu 70%. "A previsão
e de que isso se mantenha em 2005", afirma Maysa Motta Gadelha,
Diretora de Marketing da Coopernatural, cooperativa responsável
pela Natural Fashion, sem citar cifras. Segundo Maysa, 70% da produção
destina-se ao mercado interno e o restante, ao externo. O algodão
usado é orgânico, mas ainda está em processo
de certificação. "Atuamos no nicho de comércio
justo. Utilizamos mão-de-obra artesanal, o que gera inclusão
e promove geração de renda", conta Maysa. "Fazemos
um produto corn um diferencial, que tem alma e é feito para
quem tern sensibilidade", diz. A Natural Fashion fornece seus
produtos a lojas no Brasil, e possui uma franquia em Portugal.
Outro exemplo e a Univens - cooperativa
de vestuários, do Rio Grande do Sul. "Buscamos matérias-primas
que garantam um produto diferenciado e o algodão orgânico
se insere nessa perspectiva", afirma Nelsa Fabian Napolo, Presidente
da Univens. A produção está preparada para
pedidos de ate 30 mil peças e faz parte de uma cadeia produtiva
que utiliza o algodão orgânico proveniente do Esplar.
Segundo Nelsa, o preço de uma camiseta que seria vendida
por R$ 7, sai por cerca de R$ 50. "Trabalhamos com a idéia
de empreendimentos em comunidade, sob o norteio da economia solidária.
São valores que ultrapassam a questão econômica.
E uma reeducação do mundo", finaliza Nelsa.
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Fonte: Revista Brasil Alemanha,
n.1, ano 13. Cultivo de algodão orgânico incentiva
a agricultura familiar. Caderno Especial BioFach 2005. p.12-13,
2005.
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