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Traição e burrice
02/03/2005

A votação da Lei de Biossegurança chega ao seu desenlance de forma revoltante para todos os movimentos ambientalistas e sociais e para muitos cientistas preocupados com critérios sérios de preocupação com os riscos desta tecnologia.

O governo Lula traiu seu programa eleitoral onde uma visão prudente sobre a transgenia aparece em três diferentes momentos: nos cadernos "Meio Ambiente e Qualidade de Vida", "Vida Digna no Campo" e no "Fome Zero".

O governo Lula (leia-se o próprio presidente, os ministros José Dirceu, Aldo Rebelo e Gushiken) traiu os próprios Ministros mais interessados na questão: Marina Silva, Humberto Costa e Miguel Rosseto, dando apoio aos ministros pró-transgênicos: Eduardo Campos, Furlan e Roberto Rodrigues.

No afã de agradar as multinacionais da transgenia e os grandes produtores iludidos com a promessa desta tecnologia o governo Lula agiu de forma irresponsável e foi muito além das piores iniciativas do governo FHC. As conseqüências para o meio ambiente e para a saúde podem levar algum tempo para aparecerem de forma mais contundente, mas quando o fizerem (e as informações de outras partes do mundo o indicam) serão dificilmente controláveis e reversíveis.

Mais grave no curto prazo são as conseqüências para os agricultores que não querem plantar transgênicos e que sofrem da contaminação provocada pelos cultivos geneticamente modificados. O governo vai garantir os direitos destes agricultores? E os direitos dos consumidores que até hoje não viram ser aplicada a legislação sobre rotulagem?

A “burrice” da posição pró-transgênicos que o próprio candidato Lula identificou se confirma atualmente pela rápida perda das vantagens artificiais do plantio de soja transgênica e da crescente restrição do mercado internacional ao produto contaminado.

A traição do governo Lula se manifesta ainda no campo estratégico com a entrega da soberania alimentar brasileira às multinacionais de transgenia, pois o monopólio desta tecnologia e das patentes sobre as sementes dela derivadas nos deixa na mão dos interesses econômicos da Monsanto e outras que tais.

A luta contra o descalabro desta política vai continuar em todos os campos: jurídico, político e, sobretudo no econômico, através da denúncia de riscos para os consumidores e para os agricultores. Não vamos permitir que a Monsanto, os ruralistas e o governo Lula levem a agricultura do país para o desastre.

Assinado:

AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
Terra de Direitos
ISA Instituto Socioambiental
Fundação CEBRAC
ESPLAR - Centro de Pesquisa e Assessoria
ActionAid Brasil
Centro Ecológico Ipê
Apremavi - Associação de Preservação do Meio Ambiente do Vale do Itajaí

Horacio Martins de Carvalho

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