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A votação da Lei de Biossegurança
chega ao seu desenlance de forma revoltante para todos os movimentos
ambientalistas e sociais e para muitos cientistas preocupados com
critérios sérios de preocupação com
os riscos desta tecnologia.
O governo Lula traiu seu programa eleitoral onde uma visão
prudente sobre a transgenia aparece em três diferentes momentos:
nos cadernos "Meio Ambiente e Qualidade de Vida", "Vida
Digna no Campo" e no "Fome Zero".
O governo Lula (leia-se o próprio presidente, os ministros
José Dirceu, Aldo Rebelo e Gushiken) traiu os próprios
Ministros mais interessados na questão: Marina Silva, Humberto
Costa e Miguel Rosseto, dando apoio aos ministros pró-transgênicos:
Eduardo Campos, Furlan e Roberto Rodrigues.
No afã de agradar as multinacionais da transgenia e os grandes
produtores iludidos com a promessa desta tecnologia o governo Lula
agiu de forma irresponsável e foi muito além das piores
iniciativas do governo FHC. As conseqüências para o meio
ambiente e para a saúde podem levar algum tempo para aparecerem
de forma mais contundente, mas quando o fizerem (e as informações
de outras partes do mundo o indicam) serão dificilmente controláveis
e reversíveis.
Mais grave no curto prazo são as conseqüências
para os agricultores que não querem plantar transgênicos
e que sofrem da contaminação provocada pelos cultivos
geneticamente modificados. O governo vai garantir os direitos destes
agricultores? E os direitos dos consumidores que até hoje
não viram ser aplicada a legislação sobre rotulagem?
A “burrice” da posição pró-transgênicos
que o próprio candidato Lula identificou se confirma atualmente
pela rápida perda das vantagens artificiais do plantio de
soja transgênica e da crescente restrição do
mercado internacional ao produto contaminado.
A traição do governo Lula se manifesta ainda no campo
estratégico com a entrega da soberania alimentar brasileira
às multinacionais de transgenia, pois o monopólio
desta tecnologia e das patentes sobre as sementes dela derivadas
nos deixa na mão dos interesses econômicos da Monsanto
e outras que tais.
A luta contra o descalabro desta política vai continuar em
todos os campos: jurídico, político e, sobretudo no
econômico, através da denúncia de riscos para
os consumidores e para os agricultores. Não vamos permitir
que a Monsanto, os ruralistas e o governo Lula levem a agricultura
do país para o desastre.
Assinado:
AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
Terra de Direitos
ISA Instituto Socioambiental
Fundação CEBRAC
ESPLAR - Centro de Pesquisa e Assessoria
ActionAid Brasil
Centro Ecológico Ipê
Apremavi - Associação de Preservação
do Meio Ambiente do Vale do Itajaí
Horacio Martins de Carvalho
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