|
Veja o vídeo >>
No Sertão Central do Ceará, uma surpresa: imensos blocos de pedra. São os monólitos de Quixadá, a 170 quilômetros de Fortaleza. Cientistas dizem que eles estavam embaixo da terra. Mais de quinhentos milhões de anos de erosão trouxeram à tona as esculturas naturais.
Outra surpresa nos caminhos sertanejos: a cor da paisagem. Choveu apenas um dia no fim de 2005 e a Caatinga verdejou. No sertão a chegada da chuva marca o início do inverno. Essas cenas foram registradas na viagem prá Choró, nosso destino, município de doze mil habitantes, vizinho de Quixadá, onde a maioria da população vive na zona rural.
Tonha vive neste sítio com o marido e os três filhos. Há três anos planta algodão orgânico, sem agrotóxicos. O projeto é coordenado pela ong Esplar - Centro de Pesquisa e Assessoria, de Fortaleza, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Choró. Mas a Tonha ainda não começou a plantar o algodão, porque o solo está seco. Por enquanto, apenas alguns pés, podados, rebrotam. Mas onde vemos desolação, ela enxerga esperança.
Entrevista com Tonha - agricultora-
Pergunta: Tonha, quando você vê tudo seco, o que você sente?
R:" A gente que mora no sertão já se acostumou com essas mudanças de inverno e de verão. Mas aí quando chega o inverno é melhor, fica tudo verde, tem mais contato com a natureza. Que tá desse jeito agora mas daqui a pouco tá tudo bonito, bem verdinho".
A agricultora Liduína Ferreira também participa do projeto do algodão ecológico.
Enquanto espera a chuva, recolhe os restos da lavoura do ano anterior. Ela prepara as barreiras que vão conter a erosão, manter a umidade do solo e virar adubo depois de decompostas. Pra preparar o solo pro plantio não se usa mais a queimada.
Entrevista com Liduína- agricultora:
" Porque conserva muita coisa. Os insetinhos que fazem muita coisa boa pro solo, ficam vivos também. A gente achava antes que era mais favorável e a gente queimava, deixava o chão limpo, mas por outro lado o chão ficava fraco"
O plantio aqui é feito pelo sistema agroecológico. Significa que na área de cultivo existem pés de algodão mas também existem pés de outras culturas, como o milho, feijão, feijão guandu e gergelim, além de plantas nativas. Isso traz várias vantagens. Os agricultores melhoram a qualidade da alimentação. O solo fica mais forte".
Entrevista com Maristela Pinheiro/
engenheira agrônoma da ong Esplar, coordenadora do Programa de Convivência com o Semi Árido -
"Esse sistema procura conservar a biodiversidade local. Os agricultores e agricultoras conservam plantas nativas, essa é a primeira questão. A gente usa o mínimo possível de insumos externos, o que é menos impactante para a natureza. Ou seja, aqui não há uso de produtos químicos. A adubação é orgânica, eles utilizam esterco dos animais que existem na propriedade".
Autor:
Reportagem:Cláudia Tavares. Pauta:Maria Zulmira de Souza. Pesquisa/Pauta biodiversidade: Eliana Moraes. Estagiário/Pauta Biodiversidade: Wilson Bispo . Imagens: Alexandre Bissoli. Operador de Áudio: Sebastião Avelino. Edição de Texto: Valesca Canabarro. Edição de Imagens: Olavo Inácio. Produtor Executivo : Maurício Gonçalves Lima. Editora-Chefe: Vera Diegoli
Leia o índice dos artigos
|