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Em memória de tantas mulheres que morreram por justiça social
Existem algumas regiões em Moçambique, no Continente Africano, onde a mulher cujo marido morre, é obrigada, pela família dele, a fazer sexo com um irmão do morto, por 8 dias. Se, por alguma razão, ele não pode, os familiares alugam alguém para fazer sexo com a viúva, por 3 dias, independentemente do homem estar contaminado pelo vírus da AIDS. Ela é obrigada a cumprir o ”ritual”.
Esse atentado aos direitos humanos das mulheres não acontece só em Moçambique. Ele tem seu correspondente também aqui mesmo, no interior do Ceará, onde continuamente mulheres são violentadas física e psicologicamente por seus maridos, companheiros, pais e irmãos ou assassinadas sem que o governo do Estado dedique a atenção necessária para que essa situação seja evitada.
A cada ano crescem as estatísticas de violência contra a mulher. A cada ano, a violência se naturaliza, acobertada pelo machismo, pela moralidade, pela opressão e pela ausência de uma política pública que considere a mulher sujeito capaz de participar e decidir sobre questões do desenvolvimento do Estado. A cada ano, nós apoiadoras dos movimentos de mulheres e de suas lutas, também nos perguntamos qual o limite dessas guerreiras; essas que estão sempre se solidarizando e se desdobrando no apoio às lutas decididas por homens.
A marca do desenvolvimento no Estado tem sido a desigualdade, a pobreza, a marginalidade e a exclusão social e política. E como cidadãs de segunda categoria, estão as mulheres, principalmente as mulheres indígenas, negras e pobres. Essas somente entram em cena quando vistas com algum valor comercial pelo capital, como objetos sexuais para o uso e abuso local ou para exportação ou ainda, como mão-de-obra barata, seja no trabalho doméstico, seja para continuar a reprodução do capital.
Não podemos acreditar que uma sociedade que tenta se reconstruir numa perspectiva socialista e emancipatória venha se acomodar com um projeto que quer se impor em base na opressão e subordinação das mulheres.
Acreditamos que é possível construir processos em que mulheres e homens se articulem e interajam na diversidade onde a liberdade, a democracia e o respeito aos direitos humanos sejam valores estruturadores de um mundo justo e melhor de se viver.
Magnólia Azevedo Said é
Diretora do Esplar
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