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| ALCA (A Liberdade do Capital Americano): do Alasca à Patagônia 01/06/04 |
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A Área de Livre Comércio das Américas, uma imposição do governo americano na primeira Cúpula de Chefes de Estado e Governo das Américas ocorrida em Miami, em 1994, pressupõe um amplo acordo de liberalização comercial e financeira para o continente americano. Esse acordo pretende incluir os serviços, os investimentos, as compras governamentais e as patentes. Na verdade, o propósito da ALCA é mais amplo do que questões de comércio e de finanças porque vincula soberanias, em se tratando de proteção de propriedade intelectual e vincula também, produção e resgate de culturas, em se tratando de serviços, tais como educação e saúde, hoje consideradas no jargão neoliberal como serviços a serem ofertados pelo mercado e não como direitos a serem assegurados pelos estados nacionais. A ALCA vem prosperando com base em outros acordos e investimentos silenciosos que, aparentemente, não guardam vínculo com a liberalização comercial. Um importante elemento a ser considerado é o papel do BID nesse acordo. Ele compõe, com a OEA e a CEPAL, a Comissão Tripartite de Apoio Técnico, responsável pelo apoio técnico e logístico aos nove Grupos de Negociação (acesso a mercados; investimentos; serviços; compras governamentais; solução de controvérsias; agricultura; direitos de propriedade intelectual; subsídios; antidumping e medidas compensatórias; políticas de concorrência), aos Comitês Não Negociadores (formados pelo Grupo Consultivo sobre Economias Menores, o Comitê de Representantes Governamentais sobre a Participação da Sociedade Civil e o Comitê Conjunto de Especialistas do Governo e do Setor Privado sobre Comércio Eletrônico) e a todas as outras instâncias de negociação da ALCA A ALCA é, principalmente, favorecida pela 3ª geração de ajustes estruturais1 (Novo Consenso de Washington2) que vão implementando-se com financiamento do BID e do Banco Mundial. Trata-se do estabelecimento de novas condições que definem e impõem melhores climas para o investimento privado, ou seja, impostos eliminados, flexibilização das leis trabalhistas e de leis nacionais de proteção ao meio ambiente e do patrimônio nacional, com conseqüências drásticas para esses setores. O BID, como o maior banco de desenvolvimento regional, tem uma importância maior do que a OEA e a CEPAL no processo de criação da ALCA. Ele representa, junto com o Banco Mundial, a grande fonte de financiamento externo de longo prazo para setores não financiados por bancos privados e dentre esses setores estão os serviços e as políticas de ajuste estrutural, instrumentos para a efetivação da ALCA. Através da criação de uma nova área de atuação – o Pograma de Integração Física Sulamericana - o BID se prepara mais ainda para o financiamento de projetos de infra-estrutura, na região, através do IIRSA (o Plano de Integração da Infra-Estrutura Regional na América do Sul – megaprojeto centrado nos setores de transporte, energia e telecomunicações que pretende viabilizar grandes canais multimodais, construindo e interligando hidrovias, rodovias, aeroportos e portos), que tem o claro objetivo de fazer das transnacionais o principal ator econômico, controlador dos recursos naturais do continente. Com esse Plano, o IIRSA cria as condições físicas para a efetivação do acordo da ALCA. --------------------------------------------- 2 - O Novo Consenso de Washington ou as Reformas de 3ª Geração, pretendeu dar um novo perfil ao FMI, mostrando uma face social e humana.
O BID dispõe, neste ano, de US$ 4 bilhões
para emprestar ao setor privado no Brasil e dará preferência
às futuras PPPs que favorecerão oportunidades ao investimento
estrangeiro em todas as áreas de políticas públicas
no País e de infra-estrutura, na região latino-americana. 1- A liberdade do capital americano significaria abdicar da realização de uma política industrial e, sem ela não haveria sentido manter uma estratégia tecnológica, aumentando assim a dependência, que já é bastante significativa; 2- O aprofundamento da liberalização financeira impediria cada vez mais o País de reassumir o controle dos fluxos de capitais, deixando os Bancos Centrais nas mãos de especuladores e tendo que negociar a taxa de juros interna com o mercado. Tal taxa, invariavelmente é elevada, baliza a taxa de lucro e inibe o consumo e os novos investimentos, além de deprimir a produção, o emprego e os salários; 3- A imposição de moeda única, do Alasca à Patagônia, retira toda a autonomia da política monetária e o controle da inflação realizado através desta política. A revalorização do dólar também interessa muito ao império americano, para impedir que o Euro tome a dianteira nas negociações comerciais mundiais. O dólar tido como moeda corrente das Américas, esvaziaria os Bancos Centrais dos países e os governos perderiam um importante instrumento no combate à especulação financeira. Nessas circunstâncias, avançar na concretização
da ALCA significa dificultar ainda mais para os países latinoamericanos,
a possibilidade de rompimento com a dependência política
e financeira para atingir as “Metas de Desenvolvimento do Milênio”,
Declaração adotada pela Assembléia GeraL da ONU,
em setembro de 2000, para promoção de uma agenda social. Em se tratando de sociedade civil, a sensação
é de estarmos num eterno recomeço ou a questão é
a dificuldade das representações sociais chegarem a um consenso
aglutinador de estratégias de solidariedade e cooperação
que fortaleçam as populações do continente. Fortaleza, 27 de maio de 2004 -----------------------------------------
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