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“Primeiro eles te ignoram. Depois eles riem de você. Depois eles lutam contra você. Aí você vence." Ghandi

Tim Berners-Lee (Inglês - Físico Nuclear - Nobel da tecnologia) poderia, talvez, estar multi-bilionário com a invenção do browser, dos links de hipertexto, do protocolo de transferência http, das URLs com os endereços dos sites (WWW). Ele também foi responsável por estabelecer padrões para a criação de sites e os entregou à W3C (World Wide Web Consortium), órgão independente e composto por pesquisadores universitários e profissionais do setor. Tudo isso para tentar evitar que grandes corporações/organizações monopolistas/oligopolistas quebrassem à interoperabilidade (capacidade de dois dispositivos de hardware ou software comunicarem-se entre si) do seu software de rede.

A Internet tem como base a interoperabilidade, ou seja, a capacidade de permitir que hardware e software diferentes, correndo em sistemas operativos diferentes, possam comunicar-se entre si, com base em protocolos comuns.

Ao longo dos anos, algumas corporações/organizações monopolistas/oligopolistas desenvolvedoras de softwares para uso na internet, sempre priorizando lucros onde “o céu é o limite” em detrimento do bem estar social, introduziram vários recursos proprietários, sem deixar vir à tona (aos webdesigners) que tais recursos não eram padrões oficiais do W3C. Muitos destes webdesigners, até mesmo por desconhecer tais padrões, se deixam enganar com tais atitudes monopolistas. Nesta Categoria temos um campeão: Microsoft com seu Internet Explorer.

As empresas também são manipuladas. Senão vejamos: Quando uma empresa vai montar um site, recorre a estatísticas recebidas de provedores, os quais tiram informações de seus logs. Quando qualquer usuário utiliza-se de um navegador e visita uma determinada página, fica armazenado em um arquivo o número de acessos (hits) feito por este navegador. E aí, onde está a manipulação? Ela aparece quando estes mesmos usuários se utilizam do Outlook para consultar um email HTML com referências externas, aumentando assim as estatísticas de uso do IE (Internet Explorer). Isto acontece porque o browser infiltrado no Outlook é um controle Activex utilizado pelo IE. Organizações internacionais, especializadas em segurança da informação, desaconselham não só uso de Activex, como também o próprio Internet Explorer, como por exemplo o US-CERT (http://www.us-cert.gov/), Departamento de Segurança Interna dos EUA, entre outras. Confira o assunto no Jornal do Brasil, acessando os links:

http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cadernos/internet/2004/07/04/jorinf20040704001.html
http://jbonline.terra.com.br/jb/online/internet/noticias/2004/08/26/onlintnot20040826001.html

Muitas pessoas, por livre arbítrio, curiosidade e por não existir monopólio absoluto (nunca vai existir) ou até mesmo por questões óbvias, optam por utilizar outros navegadores, alguns dos quais, diga-se de passagem, até melhores que o próprio Internet Explorer, como por exemplo: Mozilla, Firefox, Opera e outros. Por desconhecer tais fatos e já estarem moldadas pela cultura da microsoft, essas pessoas são induzidas a pensar que tais navegadores não são bons, e acabam por se frustrar. Com isso, a Microsoft consegue nos tirar até mesmo o nosso livre arbítrio, o direito à liberdade de escolha, como também um direito básico, que é o da busca pela informação.

Fica uma pergunta no ar: Por que será que a imponente Microsoft não trabalha seu produto o suficiente para competir em recursos com seu concorrentes? Será porque não tem pessoal capacitado? Será por falta de recursos? Claro que não! Talvez seja porque não haja nenhum interesse por parte dela, pois se a internet, junto com seus aplicativos, continuar a se desenvolver em ritmo acelerado, não vai fazer a menor diferença o sistema operacional que estará sendo usado: Linux, Windows, etc., pois estes aplicativos estarão sendo rodados em cima de servidores. Imagine você, como usuário, acessar Editores de Textos, Editores de Planilhas, Editores de Imagens via internet, sem ter que instalá-los em micros, todos esses softwares desenvolvidos por milhares de pessoas ao redor do mundo. Quem perderia com isso? E quem ganharia com isso?

As Empresas em geral podem ajudar muito, tomando atitudes simples, saindo do anonimato e deixando o vampirismo de lado, assumindo posturas como: não encomendar sites otimizados para esse ou aquele browser, recomendar sempre os padrões da W3C na elaboração de seus sites e apoiar o desenvolvimento de softwares e tecnologias livres para que elas também possam ter liberdade de escolha.

Como vêem, todos nós só temos a ganhar. Dos mais egoístas aos mais humildes. Digo isto, não apenas por questões ideológicas, mas sim por questões lógicas.

O que incomoda mesmo não é Mozilla, OpenOffice, GNU/Linux, etc. Para muitos, eles compõem apenas itens em uma planilha de redução de custos, o que é errado! O valor principal é a idéia de liberdade... de solidariedade, a ameaça ao monopólio com a ramificação dessas idéias em outras áreas, que não apenas uma área específica. Imagine que os grandes formadores da educação neste país, seja do anonimato ou não, disponibilizassem suas obras (principalmente do ensino fundamental e médio) via internet (e-books), cobrando taxas mínimas por usuário/ano. Talvez fosse muito mais rentável do que entregar suas obras a grandes editoras monopolistas. Quem perderia com isso? E quem ganharia com isso?

Diante disso, gostaríamos de solicitar aos nossos parceiros que aderissem à petição online à ABNT(Associação Brasileira de Normas Técnicas) e ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, para que adotem as normas do W3C como normas brasileiras oficiais para elaboração de sites na internet.

Ricardo Barros é técnico em informática

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