Quais
os problemas que podem ocorrer com o uso dos transgênicos
- Os
transgênicos representam aumento de riscos para a pele dos consumidores
- As
multinacionais querem negar o direito dos consumidores à informação
- Não
há regulamentos técnicos para a seguranção
no uso dos produtos transgênicos
- Os
transgênicos tendem a provocar a perda da diversidade genética
na agricultura
- A
erosão genética ameaça o futuro da agricultura
- Os
transgênicos tornam a agricultura mais arriscada
- Os
transgênicos podem provocar a poluição genética
- Os
transgênicos podem provocar o surgimento de superpragas
- Os
transgênicos podem provocar o surgimento de superpragas
- Os
trangênicos podem afetar a vida microbiana no solo
- Os
impactos dos transgênicos na natureza são irreversíveis
- Os
transgênicos podem provocar queda na produção e/ou
aumenta de seus custos
- Niguém
quer assumir a responsabilidade pelos riscos dos trangênicos
- Umas
poucas multinacionais monopolizariam a produção de sementes
tornando-nos depedentes de seus interesses
- As
variedades transgênicas não são mais produtivas
do que as convencionais ou muitas das tradicionais
- Os
transgênicos podem aumentar o desemprego e a exclusão social
no Brasil
- Os
transgênicos representam um risco para a segurança alimentar
dos brasileiros
- No
Brasil não existe conhecimento científico sobre os impactos
do uso de transgênicos no meio ambiente e na saúde
- Existem
outras alternativas mais eficientes do que os transgênicos e sem
os riscos que estes implicam
1- Os transgênicos
representam aumento de riscos para a pele dos consumidores
Alimentos transgênicos
contendo genes que conferem resistência a antibióticos podem
provocar a transferência desta característica para bactérias
existentes no organismo humano, tornando-as uma ameaça sem precedentes
à saúde pública. Cobaias alimentadas com transgênicos
têm apresentado alterações em seu sistema imunológico
e em vários órgãos vitais. Alergias alimentares podem
aparecer como decorrência da introdução de genes estranhos
nos alimentos que passam a apresentar novas proteínas, enquanto
substâncias tóxicas existentes em quantidades inofensivas
nos alimentos podem ter sua ação potencializada. Outras
substâncias benéficas, inclusive que protegem contra o câncer,
podem ser diminuídas. Finalmente, há evidências científicas
da ação cancerígena dos atuais níveis de resíduos
de glifosato permitidos pela legislação americana e, mesmo
assim, a multinacional Monsanto está pedindo que se multiplique
por três o nível de resíduos permitido na soja transgênica
resistente a este insumo.
Sobe
2- As multinacionais
querem negar o direito dos consumidores à informação
Os consumidores não
estão cientes dos riscos e não têm como se prevenir,
mesmo se informados, pois é impossível se distinguir os
produtos que contêm transgênicos dos outros se não
houver a rotulagem. Apesar de o Código de Defesa do Consumidor
exigir a informação plena ao consumidor, até o momento
não foi elaborada a norma definidora da rotulagem dos transgênicos.
Na hipótese de ser liberado algum produto transgênico sem
a devida informação no rótulo, o direito dos consumidores
de saberem e escolherem o que vão comer será violado. As
empresas lutam contra esta exigência e pressionam o governo brasileiro
que, por meio de alguns ministérios, tem hesitado em instituir
um regulamento de rotulagem obrigatória e plena dos transgênicos,
o que implica também em descumprimento da legislação
brasileira.
Sobe
3- Não
há regulamentos técnicos para a seguranção
no uso dos produtos transgênicos
O Governo Federal
não elaborou os regulamentos técnicos sobre a segurança
para o consumidor e sobre a rotulagem dos produtos contendo transgênicos
que permitam disciplinar a atuação das empresas e dos próprios
órgãos de fiscalização. A falta de uma regulamentação
adequada fará com que a fiscalização desses produtos
seja falha, com prejuízos imprevisíveis à saúde
do consumidor. A fiscalização rigorosa será problemática
mesmo com uma regulamentação adequada devido a seus custos
e a sua complexidade se o uso dos transgênicos se generalizar como
confiam as multinacionais. Entretanto, a reivindicação de
rotulagem atualmente é um freio importante contra a ofensiva das
empresas na tentativa de colocar esses produtos no mercado.
Sobe
4- Os transgênicos
tendem a provocar a perda da diversidade genética na agricultura
As empresas multinacionais
produtoras de transgênicos necessitam de merca- dos imensos, em
escala global, para recuperar os investimentos na produção
de cada variedade. Isto faz com que umas poucas variedades transgênicas
tendam a substituir tanto as variedades melhoradas por processos convencionais,
quanto as variedades selecionadas pelos próprios agricultores,
chamadas locais ou tradicionais.
Sobe
5- A erosão
genética ameaça o futuro da agricultura
Ao longo de séculos
os agricultores adaptaram variedades de espécies cultivadas às
mais distintas condições ambientas e sociais. Registram-se
milhares destas variedades tradicionais de milho, feijão, arroz
etc. Com o melhoramento genético científico iniciado neste
século começou a substituição destas variedades
e multas se perderam, apesar de os cientistas procurarem guardá-las
congeladas em bancos de germoplasma. Inclusive, para criar os transgênicos,
os cientistas precisam desta ampla base genética que está
se perdendo. Os transgênicos vêm acelerar esta erosão
genética, estreitando as possibilidades de adaptação
futura das plantas cultivadas às variações climáticas
e à diversidade dos ecossistemas.
Sobe
6- Os transgênicos
tornam a agricultura mais arriscada
O cultivo de transgênicos
reforça a tendência à uniformidade genética
na agricultura, com grandes monoculturas utilizando umas poucas variedades
da mesma espécie. Estas variedades estão sendo selecionadas
apenas em função de umas poucas características,
como a resposta à adubação química no melhoramento
convencional e a resistência a uma ou outra praga ou doença,
ou ainda a herbicidas, no caso dos transgênicos, estreitando a variabilidade
genética destas plantas, tão vital para sua adaptação
e evolução no futuro. Isto torna estas culturas extremamente
suscetíveis ao ataque de pragas e doenças com grandes riscos
para a produção e levando a demandas cada vez maiores de
controles com agrotóxicos perigosos para o meio ambiente e para
a saúde.
Sobe
7- Os transgênicos
podem provocar a poluição genética
Está demonstrada
por pesquisas de universidades americanas a possibilidade de transferência
espontânea, para plantas silvestres da mesma família, dos
genes introduzidos numa variedade cultivada. Por exemplo, os genes introduzidos
em espécies cultivadas para torná-las resistentes à
herbicidas podem transferir-se espontaneamente para plantas silvestres
com risco de torná-las superervas daninhas de difícil controle.
Os "transgenes" também se transferem para variedades
tradicionais ou convencionais da mesma espécie em campos vizinhos.
Sobe
8- Os transgênicos
podem provocar o surgimento de superpragas
A natureza tende
a reagir às modificações realizadas nas plantas por
meio da transgênese. Já foi verificado, por exemplo, que
culturas, como milho e algodão, em que foram introduzidos genes
retirados da bactéria Bacillus thutingiensis (Bt), geraram resistência
crescente em espécies de mariposas cujas lagartas passaram a atacar
tanto estas culturas, quanto várias outras e, inclusive, algumas
plantas silvestres. Este foi também o caso de uma variedade de
batata, na qual foi incorporado um gene que lhe dava resistência
ao fungo que provoca a "mela”. O fungo passou por uma mutação
genética que lhe permitiu atacar as plantações do
sul dos Estados Unidos, há alguns anos, com efeitos devastadores
na produção.
Sobe
9- Os transgênicos
podem provocar o surgimento de superpragas
Já está
comprovado que os transgênicos podem matar outros insetos além
daqueles previstos nas intenções dos engenheiros genéticos.
Por outro lado, já se comprovou que a toxina Bt foi incorporada
por insetos que as transferiram, por sua vez, a seus predadores. A eliminação
destes insetos benéficos - prejudica seu papel no equilíbrio
natural entre as espécies.
Sobe
10- Os trangênicos
podem afetar a vida microbiana no solo
A toxina Bt (por
exemplo) pode ser incorporada ao solo junto com resíduos de culturas,
afetando invertebrados e/ou microorganismos que têm importante função
na reciclagem de nutrientes para uso das plantas. Também o uso
maciço de herbicidas nos campos cultivados com variedades em que
se introduziu resistência a estes agrotóxicos, como é
o caso da soja Roundup Ready, da empresa Monsanto, pode afetar a capacidade
de multiplicação no solo das bactérias que retiram
nitrogênio do ar e permitem a fertilização natural
desta leguminosa.
Sobe
11- Os impactos
dos transgênicos na natureza são irreversíveis
Alguns dos efeitos
negativos e dos riscos citados já ocorrem na agricultura convencional
mas, à diferença desta última, não é
possível restabelecer equilíbrios ambientas no caso dos
transgênicos. Pode-se cessar o uso de um agrotóxico, por
exemplo, e restabelecer um equilíbrio entre insetos-praga e seus
predadores após um certo tempo. No caso dos transgênicos,
uma vez liberados na natureza não é possível desfazer
os impactos nos ecossistemas ou controlar os processos de transgênese
espontânea que porventura venham a ocorrer, porque é impossível
retirar da natureza os genes que foram artificialmente introduzidos numa
planta.
Sobe
12- Os transgênicos
podem provocar queda na produção e/ou aumenta de seus custos
A mencionada possibilidade
de destruição das bactérias fixadoras de nitro- gênio
(BFN) pode representar ou a queda de produtividade por deficiência
de um nutriente essencial ao crescimento das plantas ou o aumento dos
custos de produção pela necessidade do uso de fertilizantes
químicos nitrogenados para substituir o efeito destes microorganismos.
É preciso lembrar que o uso de BFN representou na cultura da soja
brasileira uma economia de 1,8 bilhão de dólares por ano
em adubos químicos nitrogenados. Por outro lado, apesar da propaganda
da Monsanto dizer o contrário, o uso de variedades transgênicas
Roundup Ready vem apontando para um aumento do emprego de herbicidas.
A própria empresa está solicitando aos organismos de controle
sanitário vegetal dos Estados Unidos e da União Européia
um aumento de 200% nos limites de tolerância dos resíduos
de glifosato (o componente químico do herbicida da Monsanto, usado
nas variedades transgênicas Roundup Ready) encontrados na soja colhida.
Finalmente, o caso citado da batata no sul dos Estados Unidos implicou
uma catastrófica queda de produção com prejuízos
para os agricultores e aumento de preços para os consumidores.
Sobe
13- Niguém
quer assumir a responsabilidade pelos riscos dos trangênicos
As multinacionais
afirmam que não há riscos, mas se recusam a assumir a responsabilidade
pelos eventuais efeitos negativos. Já as companhias americanas
de seguros só aceitam assumir os riscos de curto prazo resultantes
da introdução de plantas geneticamente modificadas no meio
ambiente, mas avisam que não oferecerão cobertura de responsabilidade
por danos ambientais catastróficos de médio e longo prazos.
Estas empresas reconhecem a necessidade daquilo que as multinacionais
dos transgênicos preferem ignorar: uma ciência de avaliação
de riscos - uma ecologia preventiva.
Sobe
14- Umas poucas
multinacionais monopolizariam a produção de sementes tornando-nos
depedentes de seus interesses
Monsanto, Novartis,
Pioncer e Agrevo respondem pela grande maioria das sementes de variedades
transgênicas registradas no Brasil e estão entre as maiores
do mundo. Se estas variedades vierem a substituir as tradicionais e as
convencionalmente melhoradas estaremos subordinados aos interesses destas
empresas. A Monsanto já detém o controle de 70% da produção
de sementes das variedades comerciais de milho no Brasil e pode substituí-las
por transgênicos a qualquer momento. Há ainda o risco dessas
empresas adotarem de forma generalizada uma operação transgênica
chamada Terminator. As variedades transgênicas com as características
Terminator produzem sementes estéreis, impedindo que os agricultores
produzam sementes próprias a partir das compradas. Este controle
permitirá que as empresas não apenas ditem os preços
que quiserem, mas ainda controlem a produção nacional em
função de seus interesses econômicos internacionais,
ignorando o interesse público.
Sobe
15- As variedades
transgênicas não são mais produtivas do que as convencionais
ou muitas das tradicionais
Pesquisas de universidades
americanas indicam que não há ganhos de produtividade no
uso de soja Roundup Ready em comparação com as convencionais.
já as experiências da Rede Sementes, criada no Brasil pela
iniciativa das ONGs da Rede PTA de agricultura alternativa, para recuperação
e melhoramento de variedades tradicionais dos agricultores familiares,
mostram que estas podem ser competitivas com os índices de produtividade
de milhos híbridos e melhorados convencionalmente e, portanto,
com as dos transgênicos.
Sobe
16- Os transgênicos
podem aumentar o desemprego e a exclusão social no Brasil
Tal como já
vem acontecendo com a substituição das variedades tradicionais
por híbridos e por variedades melhoradas que exigem um maior volume
de insumos industriais para alcançarem sua produtividade potencial,
a entrada dos transgênicos tornará ainda mais vulnerável
a já combalida agricultura familiar brasileira, pois esta não
tem condições para acompanhar o custo deste tipo de produção.
Pelo menos 3,5 milhões de famílias estão ameaçadas
de perder sua condição de produtores e de se tornarem desempregados
urbanos, ou sem terra, ampliando a pobreza e a exclusão social
no país.
Sobe
17- Os transgênicos
representam um risco para a segurança alimentar dos brasileiros
Tanto os riscos para
a saúde, quanto aqueles que afetam a produção ou
o custo dos alimentos e as ameaças aos agricultores familiares,
sem falar na dependência aos interesses das empresas produtoras
de transgênicos, têm incidência na segurança
alimentar dos brasileiros. Entre outros fatores, podemos imaginar um cenário
em que o uso dos transgênicos provoque desequilíbrios ambientais
graves com conseqüentes quedas de produção de alimentos,
dependência de importações, aumento de custos ao consumidor
etc.
Sobe
18- No Brasil
não existe conhecimento científico sobre os impactos do
uso de transgênicos no meio ambiente e na saúde
Os estudos de impactos
potenciais realizados pelas empresas multinacionais no meio ambiente de
seus países de origem estão sendo contestados por inúmeros
cientistas. A Associação Médica Britânica,
por exemplo, pediu uma moratória por tempo indeterminado do plantio
comercial de plantas alimentícias transgênicas, enquanto
a Comissão Européia anunciou a suspensão do licenciamento
de plantas geneticamente modificadas. No Brasil não existem sequer
critérios de avaliação nem procedimentos científicos
para testá-las em nossa realidade. Numa flagrante violação
da Constituição, o decreto que criou a Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança (CTNBio) prevê a dispensa da realização
do estudo prévio de impacto ambientar para a liberação
dos transgênicos. A CTNBiO vem autorizando testes de campo aqui
no Brasil, com base nos estudos feitos pelas próprias empresas
multinacionais em seus países de origem.
Sobe
19- Existem
outras alternativas mais eficientes do que os transgênicos e sem
os riscos que estes implicam
Além de afirmarem
que os transgênicos são inócuos para a saúde
e para o meio ambiente, as multinacionais propalam que estes produtos
são a única saída para alimentar o mundo no futuro.
Esta afirmação é totalmente desprovida de fundamento.
Pesquisas realizadas por centros internacionais de pesquisa agrícola,
por universidades do Primeiro Mundo e por ONGs do Norte como do Sul, reunidas
em seminário na sede da Fundação Rockfeucr, na Itália
em abril de 1999, constataram que um outro padrão tecnológico
de desenvolvimento agrícola, conhecido como agroecologia, tem obtido
resultados surpreendentes. Aumentos de produtividade da ordem de 100 a
300% vêm sendo registrados em várias culturas, com custos
mais baixos do que os dos sistemas convencionais ou transgênicos
e sem o uso de agrotóxicos ou fertilizantes químicos ou
sementes híbridas ou transgênicas. No Brasil, pesquisas da
Embrapa, de empresas estaduais de pesquisa e de ONGs apontam para resultados
promissores nas condições adversas em que trabalham os agricultores
familiares. A agroecologia não só oferece produtos mais
saudáveis e nutritivos, mas também não polui o meio
ambiente, preservando os recursos naturais e sendo claramente mais sustentável
do que os sistemas convencionais ou transgênicos.
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