|
||||||||||||||||||
![]() |
|||||||||
![]() |
|||||||||
|
|||||||||
|
|||||||||
|
PPA
e a construção coletiva da participação social 12/05/04 |
||||||||
|
A construção do Plano Plurianual 2004-2007 apresentou como grande novidade a incorporação da sociedade organizada à sua discussão, através da realização de debates em cada um dos estados da Federação e no Distrito Federal. Representantes de fóruns, redes e organizações da sociedade civil que conduziram o processo das consultas avaliaram que o que estava em questão era a possibilidade de construção participativa de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável com justiça social, que também possibilitasse aprofundar as estruturas democráticas de controle social sobre o PPA e sobre os recursos públicos. O processo de consulta operacionalizado, por um lado, pela Secretaria Geral da Presidência da República juntamente com o Ministério do Planejamento e, por outro, representando instâncias da sociedade civil, pela Inter-Redes e pela Abong, representou um enorme desafio, e algumas de suas limitações foram apontadas desde o primeiro momento pela sociedade civil, especialmente a exigüidade do tempo reservado para a preparação e a realização das consultas, a dinâmica metodológica adotada, bem como o próprio objeto de consulta. O que estava em discussão nos fóruns estaduais de participação social eram as orientações estratégicas do governo Lula, expressadas por três megaobjetivos e 24 desafios. Não estava em discussão, as ações e programas pelos quais se materializa a resposta aos desafios definidos. Os grandes projetos, obras e investimentos do governo Lula não foram objeto de consulta. Isso faz com que a grande maioria dos programas e ações previstos no PPA, não contribuam de forma satisfatória para a redução das desigualdades sociais e econômicas de brasileiras e brasileiros, não contemplando uma visão sustentável de desenvolvimento socioambiental. Diversas organizações e redes que compõem a Abong e a Inter-Redes acompanharam a tramitação do PPA no Congresso Nacional e constataram que o rico processo participativo de consulta realizado com a sociedade civil não foi sequer tema de debate. O que monopolizou a atenção dos parlamentares e da mídia foi a insistência do governo em manter a todo custo o compromisso de superávit primário de 4,25% do Produto Interno Bruto - PIB durante os quatro anos do PPA. Isso resultou na rejeição do relatório do Senador Roberto Saturnino (PT-RJ), que previa uma diminuição gradual do superávit primário ao longo da execução do PPA. A previsão e manutenção de um superávit estimado em mais de 70 bilhões de reais no PPA expressam as limitações impostas por uma política macroeconômica restritiva, que é contraditória com as demandas apresentadas no processo de consulta à sociedade civil. Significa, na prática, uma maior contenção dos gastos sociais e de investimento no orçamento público da União. Apesar dos limites e das contradições elencadas, o processo amplo de participação nos debates do Plano Plurianual do Governo Lula contribuiu para mobilizar ainda mais as organizações da sociedade visando a construção de um projeto democrático de desenvolvimento com orçamento compatível com as necessidades mínimas rumo à superação das mazelas de um país secularmente injusto e desigual. Esperávamos que essa parceria do momento inicial de debate se efetivasse no acompanhamento do PPA, visando dar continuidade à abertura desse espaço de participação cidadã, para que a sociedade civil organizada, desafiada nesse primeiro momento, pudesse participar do monitoramento da implementação do PPA, dos processos de revisão anual, assim como da elaboração e controle da aplicação dos instrumentos dos orçamentos anuais (LDO, LOA) e assim se efetivasse um processo de controle social da gestão pública. Acreditamos ser necessário, portanto, continuar, consolidar e ampliar o processo de participação popular na discussão do PPA (o atual e possivelmente os futuros), além de capacitar as organizações sociais para a sua inclusão neste processo. Para tanto, precisamos dar continuidade aos acordos firmados com a Secretaria Geral da Presidência da República: · Formação
grupo de trabalho paritário entre governo e sociedade civil para
acompanhar o monitoramento do PPA 2004-2007; A Inter-Redes explicita a determinação de retomar o processo de debate e de participação, não apenas quanto às discussões que já foram feitas (megaobjetivos e desafios), mas também, como apontado, quanto a definições de ações e programas; da adequação dos PPAs estaduais com o PPA federal; e do monitoramento dos seus desdobramentos em LDOs e leis orçamentárias. Para todos esses processos, é absolutamente fundamental construirmos em conjunto com o governo, mecanismos institucionais de participação social que contemplem as expectativas da sociedade civil de exercer o direito democrático do controle social. Acreditamos que o governo brasileiro compartilha do mesmo desejo. Brasília, Abril de 2004 Inter-Redes Articulação
de Mulheres Brasileiras
|
|||||||||
|
||
|
||