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A RIS-CE permite que os produtores tenham sementes de boa qualidade
(Foto: Evilázio Bezerra)


Casas de sementes facilitam cultivo
19/11/04
O V Encontro Nacional de Articulação do Semi-Árido, que termina hoje em Teresina (PI), apresentou a experiência cearense da Rede de Intercâmbio no Semi-Árido (Econasa)

Autonomia ao agricultor cearense. Essa é a proposta central da Rede de Intercâmbio de Sementes do Ceará (RIS-CE). A experiência que vem dando certo no Estado desde 1991 foi apresentada no V Encontro Nacional de Articulação no Semi-Árido (Econasa) que termina hoje, 19, em Teresina (PI). Através de um sistema de empréstimo e devolução de sementes, a rede está permitindo que os produtores tenham sementes de boa qualidade e em quantidade suficiente para realizar o plantio logo no início do período chuvoso. Para Malvinier Macedo, da organização não governamental Esplar, que coordena a RIS, as casas de sementes preenchem a lacuna deixada pelos programas dos governos.

Segundo ela, muitas vezes a distribuição de sementes não leva em conta as especificidades climáticas de cada região. Os resultados são atraso no início do plantio e menor colheita de grãos. No Ceará, a experiência de armazenar sementes começou ainda na década de 70 com o incentivo de Dom Fragoso da Diocese de Crateús. Hoje o Estado tem 130 casas de sementes que beneficiam diretamente 2.968 pessoas. Apenas o município de Tauá, na região dos Inhamuns, conta com 60 casas. A idéia é que parte da safra de um ano seja guardada para o plantio do próximo período, enquanto outras quantidades são destinadas para a venda e para o consumo das famílias. As casas de sementes, segundo relato dos próprios agricultores que participaram do Econasa, evitam a retirada dos grãos sem planejamento. Armazenando as sementes em casa o agricultor ficava mais propenso a vender o produto.

Além de favorecer a autonomia na produção de sementes, as casas reforçam o trabalho pela segurança alimentar e nutricional, preservam o patrimônio genético vegetal e contribuem para a biodiversidade local. Dentro da Rede são estimulados também a troca de informações sobre agroecologia e o debate contra os alimentos transgênicos e o uso de agrotóxicos. O projeto das casas de sementes no Ceará é encaminhado pelo Esplar em parceria com os sindicatos rurais de Russas, Canindé, Madalena, Parambu, Tamboril e Crato, além da Adec, que congrega produtores na região de Crateús.

O Ceará também levou para o Econasa a experiência da Rede de Socioeconomia Solidária, criada em 2001. Segundo Lourival Almeida, diretor do Esplar, 200 grupos de empreendimentos já estão articulados em Fortaleza. O Esplar compõe a rede que conta também com a participação do Banco Palmas. A capilaridade no Interior, segundo Lourival Almeida, irá acontecer a partir do trabalho nos assentamentos rurais. A idéia é dar visibilidade às produções locais, viabilizando sua comercialização. A venda dos produtos dos assentamentos ainda é um entrave para a geração de renda dos empreendimentos solidários, de acordo com Lourival Almeida.

Fonte: O Povo - 19/11/04


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