O V Encontro Nacional de Articulação
do Semi-Árido, que termina hoje em Teresina (PI), apresentou
a experiência cearense da Rede de Intercâmbio no Semi-Árido
(Econasa)
Autonomia ao agricultor cearense. Essa é a proposta central
da Rede de Intercâmbio de Sementes do Ceará (RIS-CE).
A experiência que vem dando certo no Estado desde 1991 foi
apresentada no V Encontro Nacional de Articulação
no Semi-Árido (Econasa) que termina hoje, 19, em Teresina
(PI). Através de um sistema de empréstimo e devolução
de sementes, a rede está permitindo que os produtores tenham
sementes de boa qualidade e em quantidade suficiente para realizar
o plantio logo no início do período chuvoso. Para
Malvinier Macedo, da organização não governamental
Esplar, que coordena a RIS, as casas de sementes preenchem a lacuna
deixada pelos programas dos governos.
Segundo ela, muitas vezes a distribuição de sementes
não leva em conta as especificidades climáticas de
cada região. Os resultados são atraso no início
do plantio e menor colheita de grãos. No Ceará, a
experiência de armazenar sementes começou ainda na
década de 70 com o incentivo de Dom Fragoso da Diocese de
Crateús. Hoje o Estado tem 130 casas de sementes que beneficiam
diretamente 2.968 pessoas. Apenas o município de Tauá,
na região dos Inhamuns, conta com 60 casas. A idéia
é que parte da safra de um ano seja guardada para o plantio
do próximo período, enquanto outras quantidades são
destinadas para a venda e para o consumo das famílias. As
casas de sementes, segundo relato dos próprios agricultores
que participaram do Econasa, evitam a retirada dos grãos
sem planejamento. Armazenando as sementes em casa o agricultor ficava
mais propenso a vender o produto.
Além de favorecer a autonomia na produção
de sementes, as casas reforçam o trabalho pela segurança
alimentar e nutricional, preservam o patrimônio genético
vegetal e contribuem para a biodiversidade local. Dentro da Rede
são estimulados também a troca de informações
sobre agroecologia e o debate contra os alimentos transgênicos
e o uso de agrotóxicos. O projeto das casas de sementes no
Ceará é encaminhado pelo Esplar em parceria com os
sindicatos rurais de Russas, Canindé, Madalena, Parambu,
Tamboril e Crato, além da Adec, que congrega produtores na
região de Crateús.
O Ceará também levou para o Econasa a experiência
da Rede de Socioeconomia Solidária, criada em 2001. Segundo
Lourival Almeida, diretor do Esplar, 200 grupos de empreendimentos
já estão articulados em Fortaleza. O Esplar compõe
a rede que conta também com a participação
do Banco Palmas. A capilaridade no Interior, segundo Lourival Almeida,
irá acontecer a partir do trabalho nos assentamentos rurais.
A idéia é dar visibilidade às produções
locais, viabilizando sua comercialização. A venda
dos produtos dos assentamentos ainda é um entrave para a
geração de renda dos empreendimentos solidários,
de acordo com Lourival Almeida.
Fonte: O Povo - 19/11/04