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O economicamente correto
21/02/05

O Ceará já está, definitivamente, integrado ao chamado comércio justo internacional que existe para melhorar a posição de produtores marginalizados de países em desenvolvimento. Através de relações comerciais pautadas em uma estrutura que respeita seus interesses, cerca de um milhão de produtores e suas famílias em mais de 45 países se beneficiam da venda de produtos com o Selo de Comércio Justo da FLO - Fair Trade Labelling Organizations International, que tem sede em Bonn, Alemanha, e que é a principal organização de comércio justo certificado em todo o mundo. Segundo a FINE, grupo que reúne a FLO e outras três grandes organizações promotoras da produção e comércio ecológica e socialmente sustentáveis, “comércio justo é uma parceria comercial, baseada no diálogo, transparência e respeito, buscando maior equidade no comércio internacional, oferecendo melhores condições comerciais e assegurando os direitos desses produtores”.

A participação cearense
O presidente da Alter Eco, empresa francesa que atua no comércio justo, Tristan Lecomte, visitou a ADEC - Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá, para fechar a compra de algodão agroecológico produzido por agricultores familiares de Tauá, Choró Limão, Quixadá e Massapê. Esses agricultores são apoiados pelo Esplar, ong cearense que há dez anos desenvolve e apóia projetos de agricultura orgânica. A produção cearense, que já ganhou mercado, destina-se à fabricação de algodão hidrófilo na França.

Parceria efetiva
Além da visita de campo, Tristan participou de reunião com diretores da ADEC, técnicos do Esplar e dirigentes dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais de Tauá, Choró, Quixadá e Massapê, quando definiu as condições da compra do algodão.Também foi realizada uma pré-auditoria na ADEC por parte de um auditor credenciado pela Fair Trade Labeling Organizations International, para uma futura certificação da ADEC com o selo FLO. Uma vez obtida essa certificação, a ADEC poderá usufruir das inúmeras vantagens oferecidas às organizações que integram o comércio justo, que vão além do preço justo pago pelos seus produtos.

Futuro certo
A empresa Veja Fair Trade, que também atua no comércio justo, confirmou a segunda compra de algodão da ADEC para fabricação de mais um lote de tênis. O diretor François Morillion, que esteve em Tauá em setembro do ano passado, chega a Fortaleza no dia 4 de março para se reunir com diretores da ADEC e do Esplar e firmar um contrato de compra do algodão agroecológico com vigência de três anos. Em breve, os agricultores e familiares que produziram esse algodão, terão direito a um prêmio equivalente à diferença entre o preço recebido na safra de 2004 (R$ 1,20/kg) e o preço de venda da pluma, deduzidos os custos da ADEC.

Dando força
Hoje a FLO reúne iniciativas nacionais de comércio justo em 17 países da Europa, América do Norte, além do Japão. Essas iniciativas estimulam empresas e consumidores de seus países a apoiarem um comércio mais justo e a adquirirem produtos com o Selo de Comércio Justo. A FLO-Cert, o braço de certificação da FLO Internacional, gera credibilidade aos Selos de Comércio Justo através de uma certificação de desenvolvimento social e econômico independente e transparente, seguindo as Normas ISO 65 para órgãos de certificação. Atualmente, são inspeccionados e certificados cerca de 350 organizações de produtores. Há ainda 308 compradores registrados e 449 licenciados autorizados a utilizarem o Selo de Comércio Justo em produtos destinados ao consumidor final.

Critérios justos
Os critérios de Comércio Justo da FLO reúnem requerimentos mínimos como a garantia de um preço justo e o prêmio social, montante destinado a investimentos no desenvolvimento econômico, ambiental e social dos produtores. Tais investimentos são estimulados através de requerimentos de processos. Até 2002, os produtores certificados receberam uma estimativa de mais de US$ 40 milhões em benefícios de comércio justo em forma de prêmio social.

No mais
Os principais produtos do comércio justo hoje são: café, chá, cacau, açúcar, mel, bananas, frutas frescas, frutas secas, sucos de frutas, arroz, flores, vinho e bolas esportivas. Estão sendo demandados frutas tropicais, nozes e sementes, vegetais frescos, algodão e têxteis. Entre 2001 e 2002, as vendas de comércio justo certificado em todo o mundo cresceram 21,2%, alcançando um total de 58.813 toneladas de produtos vendidos.

Vale a pena refletir sobre o que nos diz George Herbet: “O comprador precisa de cem olhos; o vendedor, de nenhum”.

Coluna Gente de Empresas - Moacir Maia

Fonte: Diário do Nordeste - (21/02/2005)

 

 
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