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O Ceará já está, definitivamente,
integrado ao chamado comércio justo internacional que existe
para melhorar a posição de produtores marginalizados
de países em desenvolvimento. Através de relações
comerciais pautadas em uma estrutura que respeita seus interesses,
cerca de um milhão de produtores e suas famílias em
mais de 45 países se beneficiam da venda de produtos com
o Selo de Comércio Justo da FLO - Fair Trade Labelling Organizations
International, que tem sede em Bonn, Alemanha, e que é a
principal organização de comércio justo certificado
em todo o mundo. Segundo a FINE, grupo que reúne a FLO e
outras três grandes organizações promotoras
da produção e comércio ecológica e socialmente
sustentáveis, “comércio justo é uma parceria
comercial, baseada no diálogo, transparência e respeito,
buscando maior equidade no comércio internacional, oferecendo
melhores condições comerciais e assegurando os direitos
desses produtores”.
A participação
cearense
O presidente da Alter Eco, empresa francesa que atua no
comércio justo, Tristan Lecomte, visitou a ADEC - Associação
de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá, para fechar
a compra de algodão agroecológico produzido por agricultores
familiares de Tauá, Choró Limão, Quixadá
e Massapê. Esses agricultores são apoiados pelo Esplar,
ong cearense que há dez anos desenvolve e apóia projetos
de agricultura orgânica. A produção cearense,
que já ganhou mercado, destina-se à fabricação
de algodão hidrófilo na França.
Parceria efetiva
Além da visita de campo, Tristan participou de reunião
com diretores da ADEC, técnicos do Esplar e dirigentes dos
Sindicatos de Trabalhadores Rurais de Tauá, Choró,
Quixadá e Massapê, quando definiu as condições
da compra do algodão.Também foi realizada uma pré-auditoria
na ADEC por parte de um auditor credenciado pela Fair Trade Labeling
Organizations International, para uma futura certificação
da ADEC com o selo FLO. Uma vez obtida essa certificação,
a ADEC poderá usufruir das inúmeras vantagens oferecidas
às organizações que integram o comércio
justo, que vão além do preço justo pago pelos
seus produtos.
Futuro certo
A empresa Veja Fair Trade, que também atua no comércio
justo, confirmou a segunda compra de algodão da ADEC para
fabricação de mais um lote de tênis. O diretor
François Morillion, que esteve em Tauá em setembro
do ano passado, chega a Fortaleza no dia 4 de março para
se reunir com diretores da ADEC e do Esplar e firmar um contrato
de compra do algodão agroecológico com vigência
de três anos. Em breve, os agricultores e familiares que produziram
esse algodão, terão direito a um prêmio equivalente
à diferença entre o preço recebido na safra
de 2004 (R$ 1,20/kg) e o preço de venda da pluma, deduzidos
os custos da ADEC.
Dando força
Hoje a FLO reúne iniciativas nacionais de comércio
justo em 17 países da Europa, América do Norte, além
do Japão. Essas iniciativas estimulam empresas e consumidores
de seus países a apoiarem um comércio mais justo e
a adquirirem produtos com o Selo de Comércio Justo. A FLO-Cert,
o braço de certificação da FLO Internacional,
gera credibilidade aos Selos de Comércio Justo através
de uma certificação de desenvolvimento social e econômico
independente e transparente, seguindo as Normas ISO 65 para órgãos
de certificação. Atualmente, são inspeccionados
e certificados cerca de 350 organizações de produtores.
Há ainda 308 compradores registrados e 449 licenciados autorizados
a utilizarem o Selo de Comércio Justo em produtos destinados
ao consumidor final.
Critérios justos
Os critérios de Comércio Justo da FLO reúnem
requerimentos mínimos como a garantia de um preço
justo e o prêmio social, montante destinado a investimentos
no desenvolvimento econômico, ambiental e social dos produtores.
Tais investimentos são estimulados através de requerimentos
de processos. Até 2002, os produtores certificados receberam
uma estimativa de mais de US$ 40 milhões em benefícios
de comércio justo em forma de prêmio social.
No mais
Os principais produtos do comércio justo hoje são:
café, chá, cacau, açúcar, mel, bananas,
frutas frescas, frutas secas, sucos de frutas, arroz, flores, vinho
e bolas esportivas. Estão sendo demandados frutas tropicais,
nozes e sementes, vegetais frescos, algodão e têxteis.
Entre 2001 e 2002, as vendas de comércio justo certificado
em todo o mundo cresceram 21,2%, alcançando um total de 58.813
toneladas de produtos vendidos.
Vale a pena refletir sobre o que nos diz
George Herbet: “O comprador precisa de cem olhos; o vendedor,
de nenhum”.
Coluna Gente de Empresas - Moacir Maia
Fonte: Diário do Nordeste - (21/02/2005)
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