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Projetos como as Casas de Sementes estão ajudando o agricultor familiar a não depender do governo estadual
Fortaleza. A atuação de Organizações Não-Governamentais (ONGs), como o Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar), vêm ajudando o agricultor familiar a não depender somente das ações do governo do Estado no campo. Um dos exemplos mais importantes são as chamadas Casas de Sementes.
No Ceará, elas estão integradas através da Rede de Intercâmbio de Sementes (RIS). Atualmente, esta Rede é composta por 130 Casas de Sementes distribuídas em 15 municípios do Estado, tendo aproximadamente 2.968 pequenos produtores associados, a maioria de agricultores familiares.
O trabalho da RIS tem como principais atividades desenvolvidas o acompanhamento técnico, capacitação, troca de experiências, reuniões, encontros e palestras, feiras de sementes e· resgate de variedades tradicionais
Casas de Sementes — denominadas, em alguns lugares, Bancos de Sementes — são organizações comunitárias que visam a auto-suficiência dos agricultores familiares, no abastecimento de sementes de espécies importantes para a agricultura local.
Coletividade
Para formar uma Casa de Sementes Comunitária, de acordo com o diretor técnico da entidade, Marcos Vinícius de Oliveira, as pessoas interessadas devem estabelecer, coletivamente, quais as necessidades do grupo, levando em conta a quantidade e a variedade de sementes. “A partir daí, estipula-se a quantia que cada um deverá depositar para dar início ao trabalho”.
As unidades funcionam através do sistema de “empréstimo e devolução”, explica ele. A quantidade de sementes a ser emprestada a cada sócio para o plantio de seu roçado, bem como o percentual de acréscimo dado a essa quantidade na hora da devolução, são normas internas de cada Casa de Sementes, definidas coletivamente.
“O controle do estoque de cada casa é feito por uma coordenação local, através de fichas de registro de entrada e saída das sementes, cadastro de sócios e recibos”.
Os municípios onde existem as Casas de Sementes são: Tauá, Parambu, Canindé, Russas, Palhano, Crato, Santana do Cariri, Nova Olinda, Sobral, Senador Sá, Massapê, Santana do Acaraú, Frecheirinha, Marco e Tamboril.
Cadastramento
Qualquer pessoa, homem ou mulher pode, ainda que seja da mesma família, ser sócio da Casa de Sementes, basta que tenha identificação com a proposta defendida e compromisso com o trabalho coletivo.
A participação das mulheres, como sócias das Casas de Sementes, tem especial importância, pois, além de contribuir para sua autonomia, é um instrumento de comprovação da sua profissão de agricultora.
Fonte: Diário do Nordeste - 16/01/2007
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