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O antigo ´ouro branco´ já não beneficia mais apenas grandes produtores. Passa das mãos dos agricultores cearenses, para os pés de canadenses, neozelandes, europeus e asiáticos. O algodão agroecológico produzido em Tauá e em outros do semi-árido do Ceará desde 2004 transforma-se em tênis fabricados pela empresa francesa Veja Fair Trade.
Comércio justo
Adepta do comércio justo, a marca adquire quatro toneladas por ano da matéria-prima cultivada de acordo com técnicas que preservam o meio ambiente. Isso representa aproximadamente 57% da produção de algodão em pluma de cerca de 250 filiados à Associação do Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (Adec). Brasileiros de várias regiões também vestem produtos feitos com as três toneladas restantes do algodão em pluma adquiridas pela Cooperativa de Costureiras Unidas Venceremos (Univens).
A cooperativa gaúcha integra a Justa Trama, grife criada a partir da produção cooperativa solidária.
Preço dobrado
Graças à Veja e à Justa Trama a produção do algodão agroecológico de cerca de sete toneladas por ano é escoada a preços bem superiores ao do algodão cultivado com técnica tradicionais.
Em Tauá, uma usina tradicional compra a arroba deste algodão por cerca de R$ 12,00. Os associados da Adec recebem R$ 24,90 pela mesma quantidade de agroecológico. A Adec movimentou cerca de R$ 42 mil com a venda dessa matéria-prima neste ano.
“Apesar da produção relativamente pequena, ela acaba sendo vantajosa porque o agricultor cultiva também outros produtos (feijão, milho, gergelim) e tem venda garantida”, avalia o agrônomo e diretor-adjunto do Centro de Pesquisa e Assessoria Esplar, Pedro Jorge Lima. A ONG é idealizadora e apoiadora do projeto.
O algodão em plantio consorciado, das técnicas de conservação do solo e no manejo ecológico de pragas é pioneiro no Brasil. Foi iniciado em 1990 como um trabalho de pesquisa em parceria com trabalhadores de Tauá, Parambu e Senador Pompeu.
A proposta formulada em 1991 hoje serve de modelo para produtores da Paraíba, do Rio Grande do Norte, de Pernambuco e do Paraná.
Cristiane Bonfim
Repórter
DADOS - 24,90 reais. É o preço pago pela arroba do algodão agroecológico. O valor é mais que o dobro do preço da matéria-prima tradicional, que é vendida por R$ 12,00 a arroba
Fonte: Diário do Nordeste
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