|
A
cultura é propriedade da humanidade. Cada um que cria, recria,
pensa e constrói está produzindo cultura. O
conhecimento e a arte nascem desse ponto. Mas o que acontece quando
negam o seu acesso à cultura? E quando negam não só
o acesso a ela, mas também seu direito de produzir cultura? O
que você faz?
Pensando
em responder essas questões, e ainda formular outras, a
parceria entre o Coletivo Epidemia e a Ação Educativa
promove o ciclo de debates “Conhecimento e Cultura Livres:
Disputas, Práticas e Idéias”. As cidades
contempladas serão São Paulo e Fortaleza, onde contamos
com o apoio do Esplar.
Nas
atividades e mesas do evento estarão presentes professores,
acadêmicos e especialistas nas áreas de cinema, produção
audiovisual, música e teatro, bem como performers, atores e
atrizes, músicos, dançarinos e artistas plásticos.
A
mescla dos convidados e a distinta natureza de sua participação
foi pensada com o intuito de debater e expressar as contradições
impostas pelo sistema vigente e ainda trazer à tona questões
que acabam restritas a meios especializados.
O
objetivo central do projeto é a interação:
queremos juntar no mesmo espaço artistas e críticos,
promover um debate sem nenhum tipo de hierarquia, explorar os pontos
que nos ligam como construtores de uma forma de vida compartilhada.
O
seminário e a cultura hoje
Desde
sempre verificamos que a cultura em seu sentido mais amplo se
apresenta de diversas formas, em distintas esferas e reproduzindo
várias realidades. Essas diferenças são, sem
dúvida, essenciais para a evolução e
heterogeneidade da subjetividade humana, fator primeiro da produção
cultural de qualidade.
Mas
no capitalismo contemporâneo as formas que assumiram a produção
e a distribuição de cultura prejudicam a diversidade,
tão cara ao processo criativo, estreitando os espaços,
impedindo a livre troca entre os criadores e produzindo um vácuo
entre a teoria e a prática. Em uma produção
restrita ao mercado reforça-se o empobrecimento do processo
criativo. E a distribuição limitada da cultura tente a
enfraquecer a evolução do conhecimento e da produção
artística.
Dentro
dessa dinâmica, surgem lógicas culturais distintas, que
representam os entraves entre “centro e periferia”, a
globalização e a localidade, a arte popular e aquela
restrita à elite e que acirram os conflitos do que poderia ser
cultura, não homogênea, mas feita por todos e para
todos.
Vivemos
um período em que a cultura assume um papel central, com o
advento das redes de compartilhamento e da globalização.
Espaços se reduzem, o tempo se reconfigura e a cultura se
desfaz para se reerguer de uma outra maneira. As novas tecnologias
são um paradoxo: ao mesmo tempo em que se detém em si a
possibilidade de ampliar o acesso à cultura e ao conhecimento,
nas mãos de poucos que pensam na lógica do mercado, são
ferramentas essenciais para a concentração de poder.
partir deste raciocínio, acreditamos que certas perguntas
devem ser feitas, para que possamos contribuir para a construção
de um debate crítico dentro da sociedade do conhecimento. Quem
produz arte? Quem usufrui desta arte? Qual o papel da indústria
cultural na sociedade atual? Quem faz pesquisa acadêmica? Quem
escreve livros? Quem os lê? Como se cria música? Para
quem se faz teatro? Quem é protegido e quem ganha com o
direito autoral?
Queremos,
com essa discussão, nos tornarmos protagonistas da cultura.
Por isso nos inspiramos na soma de grupos tão diferentes,
cabeças, vidas e artes heterogêneas. Queremos um novo
horizonte além do mercado que temos hoje chamado cultura.
O
projeto tem curadoria de Maria Elisa Burgos Pereira da Silva Cevasco,
professora titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da Universidade de São Paulo. São curadores
associados os professores Roberto Schwarz e José Correa Leite
e o escritos Alessandro Buzo. André costa é consultor
audiovisual e Renato Roseno coordena as atividades em Fortaleza.
O
projeto “Conhecimento
e Cultura Livres: Disputas, Práticas e Idéias”
é apoiado pelo Programa Cultura e Pensamento – um
conjunto de ações que incentivam o debate crítico.
O seu propósito é ampliar os fóruns de reflexão
e diálogo em torno de temas relevantes da agenda
contemporânea. Uma iniciativa do MinC, com o patrocínio
da Petrobrás, através da Lei Federal de Incentivo. É
coordenado pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à
Extensão (FAPEX) e co-realizado pelo Ministério da
Educação, pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa
(RNP), pelo Serviço Social do Comércio de São
Paulo (Sesc-SP) e pela TVE-Bahia. Conheça as demais ações
e acervo do Cultura e Pensamento no portal www.cultura.gov.br/culturaepensamento.
Mais notícias
|