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Forte tendência em países desenvolvidos, as roupas ecológicas começam a ganhar o mercado brasileiro.
O conceito de roupa ecológica vai além de estampas que remetem à preservação ambiental, considerando tanto matérias-primas quanto processos de fabricação ambientalmente sustentáveis. No Brasil, este mercado — considerando o potencial — ainda está nos passos iniciais.
A Justa Trama é a marca da Cadeia Ecológica do Algodão Solidário, da qual participam trabalhadores organizados que integram empreendimentos da Economia Solidária.
São homens e mulheres agricultores, coletores de sementes, fiadoras, tecedores e costureiras. Os empreendimentos destes trabalhadores cobrem todos os elos da indústria têxtil — do plantio do algodão à roupa. Quem está na produção da roupa Justa Trama é também o proprietário da marca.
Assim, ao comprar uma roupa da Justa Trama, o consumidor tem a oportunidade de contribuir para a consolidação de um modelo de desenvolvimento sustentável e solidário, em que a cooperação vai do primeiro ao último elo da cadeia: o próprio consumidor final.
Segundo o agrônomo do Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar), Pedro Jorge Ferreira Lima, em oito municípios do Ceará — Canindé, Choró, Forquilha, Massapé, Quixadá, Santana do Acaraú, Sobral e Tauá — agricultores familiares articulados pela Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (Adec) plantam e colhem o algodão agroecológico empregando técnicas de conservação do solo e da água, valorizando a biodiversidade, sem uso de agrotóxicos.
Do Nordeste para o Sul
Mulheres e homens de sete estados da Amazônia, reunidos na Cooperativa Açaí, sediada em Porto Velho (Rondônia), produzem corantes naturais, coletam e beneficiam sementes e outros elementos da Amazônia que são utilizados nas roupas da Justa Trama.
Em Nova Odessa (São Paulo), trabalhadores da Cooperativa Nova Esperança (Cones) realizam a fiação do algodão agroecológico.
Em Santo André (São Paulo), os trabalhadores da Cooperativa de Trabalhadores em Fiação, Tecelagem e Confecções (Textilcooper) fabricam vários tipos de tecidos com algodão agroecológico.
Produtos finais
Em Itajaí (Santa Catarina), e em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), costureiras da Cooperativa Fio Nobre e da Cooperativa de Costureiras Unidas Venceremos (Univens) confeccionam as mais variadas peças de roupas e também alguns acessórios, como cangas e bolsas.
No portfólio da Justa Trama estão calças masculinas e femininas em sarja leve; bermudas masculinas em sarja leve; túnicas masculinas de manga curta em sarja leve; jaquetas masculinas e femininas em sarja pesada; saias de diversos modelos em fio 30 e em sarja leve; vestidos em malha fio 30; calças corsário em sarja leve; batas femininas em sarja leve de manga curta ou longa; blusas ciganas em malha fio 30; blusas de alças em malha fio 30; blusas tricotadas à maquina em linha; casacos de tricô em linha; blusas em tricô com manga cavada; bolsas em sarja leve e em tear manual; cangas em sarja leve grandes e médias; regatas tradicionais em fio 30; e camisetas tradicionais e baby look em fio 30.
Parcerias
Entre os parceiros — que possibilitam que essa rede funcione adequadamente em todo o País — estão a Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol Brasil); o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); o Esplar; a Fundação Banco do Brasil (FBB); o Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES); a Secretaria Nacional da Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (Senaes/MTE); e a Cooperativa de Trabalho dos Trabalhadores da Área de Psicologia (Verso).
Mais informações:
www.justatrama.com.br/
justatrama@justatrama.com.br
(51) 3028.2381
DA MATÉRIA-PRIMA AO PRODUTO FINAL
Tênis ecologicamente corretos em toda a cadeia
O mercado europeu tem acesso exclusivo a um tênis ecologicamente correto, produzido com matéria-prima, mão-de-obra e tecnologia brasileiras. A empresa francesa Veja utiliza algodão agroecológico do Ceará, borracha natural do Acre e couro ecológico do Rio Grande do Sul na produção de uma linha exclusiva de tênis.
O projeto se apoia em três principais pontos: privilegiar materiais ecológicos; utilizar o comércio do algodão de forma equilibrada; e fabricar os produtos com dignidade, numa nova maneira de pensar e de agir, criando um canal de solidariedade ecológica do produtor ao consumidor.
Começa com o algodão agroecológico cearense, cultivado sem pesticidas ou adubos químicos, com preços justos, determinados em conjunto.
No Acre, confere preços justos à borracha natural, dos seringueiros, que trabalham pela valorização da floresta e lutam contra o desmatamento.
O couro, adquirido no Rio Grande do Sul, é curtido sem cromo, com o uso de extratos naturais de acácia. A produção dos tênis também é gaúcha, observando boas condições de trabalho e respeito aos direitos dos trabalhadores.
A comercialização fica a cargo de uma organização não-governamental (ONG) francesa, principalmente em lojas selecionadas do mercado europeu. Mas também os tênis já são comercializados nos Estados Unidos, Canadá e Ásia.
O primeiro modelo de tênis da marca é inspirado no voleibol brasileiros dos anos 70. Acaba de lançar a coleção para pequenos de 2 a10 anos.
Veja é encontrado na Europa, Japão e Estados Unidos.
A empresa Veja foi idealizada por dois franceses que operam no Brasil. O foco da marca é usar alternativas ecológicas, trabalhando com o algodão e o látex do comércio justo, respeitando a dignidade dos trabalhadores.
O primeiro modelo é inspirado nos tênis de voleibol brasileiros dos anos 70. Há também tênis de cano alto, uma coleção para bebês e para crianças e outra em couro vegetal.
Desejado na capital francesa e começando a ganhar espaço também nos pés berlinenses, sem contar com outros mercados internacionais, o tênis Veja tem na origem e no processo de fabricação — e não apenas na beleza e qualidade do produto final — o principal foco do material de divulgação.
Mais informações:
Site: www.veja.fr
Blog: http://blog.veja.fr
E-mail: contact@veja.frEmail
FIQUE POR DENTRO
Algodão agroecológico e orgânico no Nordeste
A produção de algodão agroecológico e orgânico no Brasil começou em 1993, no Ceará, quando, em Tauá, a Adec beneficiou e comercializou a primeira safra de agricultores familiares.
O algodão orgânico é auditado e certificado por um organismo credenciado; já o agroecológico é cultivado conforme as práticas da Agroecologia, já preenchendo os requisitos para a certificação orgânica.
Por três anos, foi destinado à fabricação de camisetas para o Greenpeace. Mas, por dez anos, não conseguia se firmar no mercado, com volume de pluma inferior a cinco toneladas/ano. Ainda assim, até 2002, no mercado orgânico conseguia valores 30% superiores ao convencional.
Em 2004, a empresa francesa Veja Fair Trade, que atua no comércio justo, passou a adquirir o algodão cearense com um contrato de compra de médio prazo, pagando preços cerca de 100% superiores aos praticados no mercado convencional.
Isto permitiu a expansão da produção, através de agricultores familiares de mais sete municípios cearenses, em atenção à demanda crescente.
Em 2005, a Justa Trama começou a adquirir algodão agroecológico cearense , pautando-se pelas normas do
comércio justo e do mercado solidário.
Em 2007, 235 agricultores colheram cerca de 42 toneladas de algodão agroecológico, em sistemas consorciados com milho, feijão e gergerlim, que estão sendo inspecionados para obtenção do selo orgânico.
Maristela Crispim
Repórter
Fortaleza, 22 de janeiro de 2008
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