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Trabalhar com
mulheres é tarefa fácil. Afinal de contas, todas nós
já temos uma longa estrada nesse caminho, não? Mas
agora nós queremos fazer um pouco diferente. Nós queremos
uma nova forma de comunicação entre as mulheres que
dê conta de mostrar a sua face interior, a sua relação
consigo mesmas e com o mundo.
Nós queremos facilitar entre as mulheres a descoberta de
explicações, de respostas sobre a sua condição
na sociedade, sobre a construção das relações
de gênero, sobre as vivências das mulheres na superação
de uma imagem preconceituosa e discriminatória associando
as mulheres apenas às questões domésticas ou
a um objeto sexual.
Com esse objetivo, queremos desenvolver entre as mulheres, a prática
de refletir e questionar, olhando para dentro de si e olhando para
o mundo, de modo que cada uma possa expressar suas experiências
de vida e debater suas idéias sobre a posição
da mulher na sociedade. Essa prática certamente irá
ampliar a nossa compreensão da realidade e a necessidade
de nos organizarmos coletivamente.
Alguns princípios para orientar a relação
com os grupos de mulheres:
1. Saber ouvir as mulheres. Não ignorar, desconsiderar
ou diminuir seus sentimentos, suas informações e observações,
como se fossem lamentações;
2. Considerar a dureza da vida das mulheres, que realizam
uma variedade de atividades de produção e reprodução
e, portan- to, estão normalmente desestimuladas;
3. Criar condições para que as mulheres sejam
estimuladas a identificar suas próprias necessidades, estratégias
e soluções;
4. Valorizar e tornar visível o trabalho produtivo
das mulheres. Analisar sua contribuição e discutir
as desigualdades econômicas e sociais baseadas nas relações
de gênero.
5. Ser paciente e tolerante com o tempo e os limites de cada
mulher, sabendo que uma situação de opressão
não muda de uma hora para outra.
6. Procurar captar e entender o que está por trás
da fala de cada uma.
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