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1 - Existe um diferencial
de produtividade a favor das culturas transgênicas?
A Monsanto afirmava, em 1998, que a soja RR produzia 5% mais que a
soja convencional. No entanto...
Pesquisa da Universidade de Nebraska publicada no Agronomy Journal em
2001 e realizada em 5 regiões produtoras dos EUA comparou a performance
de 5 variedades de soja RR com 5 variedades "isogênicas",
isto é, variedades cuja única diferença com as transgênicas
era a introdução do gen de resistência ao herbicida.
Na média as variedades transgênicas produziram 6% menos
que as convencionais.
Pesquisa de várias Universidades americanas realizadas nos anos
1999 e 2000 em 10 000 ensaios distribuídos em todo o território
americano apontaram um diferencial de 5 a 10% a favor da soja convencional.
Hoje tanto a Monsanto como o Departamento de Agricultura do Governo americano
(USDA) reconhecem que não há ganho de produtividade em com
o uso de soja transgênica.
No caso da canola transgênica, pesquisa da Universidade de
Saskatchewan, no Canadá, no ano de 2001, apontavam para uma diferença
de 7,5% a menos na produtividade em comparação com a
canola convencional.
O pesquisador Charles Benbrook, em pesquisa comparando os resultados publicados
pelo USDA para o milho Bt na média do período entre
1996 e 1999 encontrou um ganho médio de produtividade de apenas
2,6% a favor do produto transgênico.
Em relatório publicado no ano 2001 0 USDA constatou, para o conjunto
das culturas transgênicas que "a biotecnologia, provavelmente,
não produz aumentos de produtividade".
2 - Porque as culturas transgênicas têm menor produtividade
que as convencionais?
Os eventuais aumentos de produtividade só se constataram quando
os produtos transgênicos reduziram perdas por ataques de pragas
ou por competição com invasoras de maneira mais eficiente
que com o usa de métodos convencionais.
No caso do milho ou do algodão Bt isto só ocorreu nos anos
e regiões em que ocorreu alta infestação com a lagarta
ECB (european com borer). Na maior parte dos EUA isto só acontece
uma vez a cada 4 anos e no Canadá uma vez a cada 8 anos, em média.
Isto significa que os produtores que adotaram estes transgênicos
pagam caro todos os anos para fazer um controle que só se justifica
eventualmente.
A transgênia
na soja para fazê-la resistente a herbicidas produziu um efeito
colateral ainda não explicado cientificamente e que implica em
menor habilidade destas plantas para lidar com estresses de temperatura
(calor ou frio).
Pesquisa realizada pela Universidade de Arkansas no ano 2000 indicou que
o glifosato (princípio ativo do roundup) perturba a fixação
bio1ógica do nitrogênio (FBN) sobre tudo em condições
de seca ou de baixa fertilidade dos solos.
Para o Brasil esta ameaça a FBN e muito mais grave que para os
EUA, pois nossas variedades foram desenvolvidas para maximizar a fixação
bio1ógica de nitrogênio enquanto nos EUA há uma dependência
muito maior do uso de fertilizantes nitrogenados químicos.
O Brasil economiza anualmente cerca de 2 bilhões de dólares
em adubos químicos por ano com o uso desta tecnologia pioneira
da EMBRAPA e isto pode ser ameaçado pela introdução
da soja RR.
3 - As culturas transgênicas usam menos agroquímicos?
Tendência do usa de herbicidas:
Na sua propaganda a Monsanto vem afirmando que com o usa da soja RR basta
fazer uma Aplicação de herbicida. No entanto...
Pesquisa publicada por Charles Benbrook em 2001, com base em dados do
USDA relativos a plantios de 1996 a 2000 constata que nos cultivos de
soja RR utiliza-se um pouco mais de herbicidas que na soja convencional
mas que as quantidades vão aumentando ano a ano. Já no caso
do milho RR o uso de herbicida foi, em media, 30% maior que em milho
convencional.
Pesquisa do governo
do Canadá com 650 produtores de canola transgênica
apontou para um uso 20% maior de herbicidas na média do período
1996 a 1999. No primeiro ano a quantidade utilizada foi inferior que
nos cultivos convencionais mas cresceu nos anos subseqüentes.
Porque o uso de herbicidas é maior na soja transgênicas?
Ocorreu o surgimento de novas invasoras mais resistentes ao Roundup tais
como a gramínea "Amarantus rudis" que retardou a sua
germinação e com isto conseguiu "driblar" a aplicação
do herbicida tal como verificado por pesquisas da Universidade de Iowa
e da Universidade do Mississipi. Outra invasora conhecida nos EUA como
"horseweed" (erva de cavalo) aparece em pesquisa da Universidade
de Missouri em 2002 como suportando entre 6 e 13 vezes mais herbicida
para o controle. Outro exemplo é o da invasora "Abutilon theophrasti"
que adquiriu resistência ao uso do Roundup.
A resistência ao glifosato já é uma grande preocupação
dos cientistas da área de invasoras e, embora ainda não
seja generalizada ameaça a eficiência deste herbicida no
prazo de uns poucos anos.
Tendências no
uso de pesticidas:
Pesquisa da Universidade de Iowa indicou que houve um pequeno aumento
no uso do controle da lagarta ECB entre 1995 e 2000 apesar do aumento
da área com controle transgênico da ordem de 26% no período.
A baixa eficiência do controle da lagarta pelas culturas transgênicas
deveu-se ao aumento acelerado da resistência ao Bt tal como foi
publicado na revista Science por pesquisadores da Universidade de Kansas
State no ano de 2000.
A Monsanto e a Environmental Protection Agency (Agencia de Proteção
Ambiental) não previram a aceleração da resistência
adquirida da lagarta aos controles transgênicos e foram ampliando
as medidas de manejo para evitá-la paulatinamente. Hoje é
necessário plantar entre 20 e 50% da área semeada com milho
não transgênico em cada campo cultivado para tentar evitar
a crescente ineficiência do controle.
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