4
- Custo/benefício das culturas transgênicas:
No caso da soja RR pesquisas da Iowa State University publicada em
2001 indicou que a perda dos agricultores com esta cultura foi de 8,87
dó1ares por unidade de área cultivada, enquanto a soja convencional
deu um prejuízo menor, de 0,02 dólares por unidade de área.
Este estudo foi considerado bastante conservador por vários analistas
pois subestimou o custo extra das sementes de soja transgênica e admitiu
que o preço pela soja convencional no mercado era igual ao da transgênica.
Estudo de Charles Benbrook em 2001 indicou que entre os anos de 1996 e 2001
os agricultores americanos gastaram 660 milhões de dólares
extras pelo uso de sementes transgênicas de milho Bt mas só
obtiveram um retorno incremental da ordem de 567 milhões de dólares.
Isto representou um prejuízo da ordem de 92 milhões
de dólares globalmente ou 1,31 dólares por unidade de área
cultivada. Benbrook verificou que em 3 anos os agricultores tiveram
ganhos e em 3 outros prejuízos.
Estudo da Iowa State University para culturas naquele estado indicou, também
em 2001, que os prejuízos por área cultivada com o milho
Bt foram 28,28 d61ares enquanto os prejuízos por área cultivada
de milho convencional foram de 25,02 dólares. Este estudo, menos
abrangente que o de Benbrook, certamente indica um ano e região em
que a performance do milho Bt foi particularmente ruim mas indica o tamanho
do prejuízo que esta cultura pode provocar.
Porque as culturas transgênicas provocaram prejuízos aos agricultores?
O custo das sementes transgênicas é entre 25 e 40% mais alto
que o das sementes convencionais e expressamente proibido pelas empresas
"tirar" sementes próprias para replantio. Por outro lado,
a produtividade da soja transgênica é quase sempre mais baixa,
enquanto a do milho (na media dos anos 96/2001) é apenas ligeiramente
maior.
O aumento do uso de
herbicidas não se refletiu em aumento de custos de produção
devido a queda do preço de ordem de 40% causada pela forte competição
entre as empresas. No entanto, os produtores de soja convencional também
se beneficiaram desta redução sem ter o correspondente aumento
no uso de herbicidas. Finalmente, as culturas transgênicas tiveram
freqüentemente preços menos vantajosos que as convencionais.
5 - Porque os americanos seguem plantando culturas transgênicas?
A cultura de milho Bt caiu de 26 para 19% nos EUA devido às perdas
no mercado internacional, sobretudo para a Europa. No caso da soja a maior
parte da produção é dirigida para o mercado interno
e a ausência de rotulagem de produtos contendo transgênicos
não permite que os consumidores expressem a rejeição
que as pesquisas de opinião comprovam.
O acesso a semente convencional de soja de boa qualidade vai se tornando
cada vez mais difícil devido a 20 controle das empresas de biotecnologia
sobre o mercado de sementes.
A contaminação espontânea das culturas convencionais
coloca para o agricultor o risco de ser processado pelas empresas de transgênicos
que o acusam de violar seu direito de propriedade mesmo no caso de pequenas
quantidades de produto transgênico em um campo convencional. As
pesadas multas que ameaçam o agricultor acabam fazendo com
que ele prefira não correr o risco de enfrentar os advogados
das poderosas multinacionais e aceite plantar transgênicos.
Os subsídios pagos pelo governo americano aos agricultores os compensam
das perdas incorridas com a nova tecnologia. De 90 a 2000 estes subsídios
subiram de 9 bilhões por ano para 20 bilhões por ano. Hoje
50% destes subsídios vão para os produtores de soja, justamente
a cultura onde e maior a presença de transgênicos. Embora
as razões para o aumento dos subsídios sejam várias,
calcula-se que a compensação pelas perdas nas culturas transgênicas
alcance 10 bilhões nos últimos anos.
6- Porque os agricultores gaúchos estão tão entusiasmados
com a soja transgênicas?
Os gaúchos não estão pagando o preço real
das sementes de soja transgênica, pois estão tirando semente
própria a partir da que foi contrabandeada nos últimos anos.
Isto vai acabar se o cultivo for liberado.
Há um grande problema de infestação com invasoras
e os agricultores desconhecem as formas convencionais de controle mais
baratas e eficientes que já se aplicam nos EUA assim como as práticas
da agroecologia.
Os agricultores têm ilusão de que o custo de produção
caiu pelo uso de soja RR quando a economia vem da redução
do custo do herbicida que pode ser aproveitado também nos cultivos
convencionais.
Os agricultores ainda não sabern que a facilidade do uso do herbicida
desaparece em dois a três anos de uso da soja RR.
Ao contrário dos agricultores paranaenses, os gaúchos ainda
não verificaram o risco de mercado que estão incorrendo
devido as resistências crescentes dos nossos compradores, inclusive
os chineses, que absorveram grande parte da soja do RS nos anos recentes.
Jean Marc von der Weid e economista, coordenador do Programa de Políticas
Públicas da AS-PTA e da Campanha "Por um Brasil Livre de Transgênicos"
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