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No dia 26 de julho, o Jornal “O Povo”
publicou que várias personalidades do Estado do Ceará
receberam do Parlamento Mundial de Segurança e Paz, o Decreto-Diploma
de consagração e a Medalha “O Pacificador da
ONU”.
O prêmio traduz a idéia de que o Parlamento
Mundial tem acesso a quem detém influência e condições
de mudar a atual realidade social brasileira. Ganharam Medalha,
dentre outros, o Senador Tasso Jereissati, o Governador Lúcio
Alcântara, o empresário Beto Studart, presidente da
Agripec e o empresário Deusmar de Queiroz, presidente do
Grupo Pague Menos.
Esse é um dos inúmeros exemplos da
mais completa reversão de valores: prêmio para quem
promove a insegurança, a violência e a exclusão
social. Beto Studart, o maior produtor de veneno do Ceará,
que hoje amplia seus tentáculos para países da América
Latina, é responsável pela degradação
do meio ambiente e, principalmente, pelos prejuízos à
saúde de agricultores e agricultoras familiares. O Senador
Tasso Jereissati, além do passado de contribuição
ao aumento da pobreza e exclusão no nosso estado, pela implantação
de um modelo de gestão liberalizante, privatista e desregulamentador
é, hoje, um dos ardorosos articuladores do descompromisso
do Estado brasileiro com as políticas sociais, a exemplo
de sua defesa das Parcerias Público-Privado.
O Governador Lúcio Alcântara, à
frente de um governo totalmente alheio às necessidades reais
da população, aprofunda, ainda mais, a dívida
do Estado, apoiando políticas compensatórias avalizadas
pelo Banco Mundial e projetos que têm favorecido as grandes
empresas e empreiteiros do Ceará, como é o caso da
carcinicultura e da transposição do Rio São
Francisco. Deusmar de Queiroz foi denunciado pelo Ministério
Público Estadual, pelo seu envolvimento com um suposto grupo
de extermínio formado por policiais militares, que estariam
a serviço de suas farmácias. As investigações
dão conta de 30 pessoas assassinadas desde o ano de 2000,
em situações semelhantes ou seja, na porta ou nas
cercanias das farmácias. Pasmem vocês! Essas pessoas
passarão a compor o Conselho de Segurança e Paz do
Parlamento Mundial.
Enquanto isso, a violência, uma das resultantes
da contribuição desses senhores, se amplia atingindo
níveis de sofisticação antes só vistos
nos filmes de ação que as TVs costumam empurrar para
a juventude nos feriados. Malas e cuecas são apenas caricatura
grotesca de uma perversão calculada, lenta e contínua
que essas pessoas, como operadoras conscientes de um sistema econômico
e político torpe, cínico e servil, têm praticado
contra milhares de crianças, jovens, pessoas idosas, negras
e populações indígenas que ainda sabem sorrir,
porque é de sua índole a brincadeira, mas certamente
não são felizes.
Magnólia Azevedo Said
Presidenta do Esplar- Centro de Pesquisa e Assessoria
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